Temos de falar da principal campanha deste mês, que reforça a importância da prevenção e detecção precoce do câncer de mama: o Outubro Rosa. A iniciativa chama a atenção para um cuidado que deve ir além do mês: conhecer o próprio corpo e procurar orientação profissional ao perceber alterações nas mamas. Identificar mudanças e buscar atendimento em tempo oportuno podem contribuir para a investigação precoce de possíveis doenças.

Tenho de confessar: acho dificílimo identificar um nódulo diferente, porque nossa mama é cheia de nódulos. Por isso, é importante fazer o autoexame diariamente, pois assim conheceremos a nossa mama muito bem. Quando surgir algo diferente, conseguiremos perceber.

O nódulo é um dos sinais mais conhecidos, mas não é a única alteração que merece atenção. Mudanças na pele, retração ou alteração do formato do mamilo, secreção espontânea, aumento progressivo da mama e nódulos na região das axilas também podem justificar a avaliação médica. Porém, esses sinais não significam necessariamente câncer, pois alterações mamárias podem ter diferentes causas.

O médico Marcelo Godoi Cavalheiro alerta que dor nas mamas é queixa frequente e, isoladamente, não significa câncer. Quando ela persiste, muda de padrão ou aparece acompanhada de outras alterações, deve ser investigada. O mesmo vale para o caroço que permanece ou aumenta de tamanho.

A avaliação pode começar com o médico generalista ou diretamente com o mastologista, especialista em doenças das mamas. Dependendo do caso, são indicados exames como mamografia e ultrassonografia, que possuem funções diferentes e podem ser complementares.

Vale ressaltar que o autoexame é importante para que a mulher conheça o próprio corpo e perceba alterações, mas não substitui a mamografia, capaz de identificar tumores em fases iniciais, muitas vezes antes que possam ser palpados.

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) informa que o rastreamento mamográfico reduz a mortalidade por câncer de mama entre 25% e 40%, caso realizado de forma regular. Nos casos diagnosticados em estágio inicial, as taxas de cura podem superar 95%.

A ginecologista Roberta Brando, especialista na relação da mulher com o climatério, com a menopausa e especialista em terapia hormonal feminina, explica que o principal é entender a necessidade de estratégias complementares.

“A mamografia consegue encontrar lesões muito menores e quanto mais cedo o câncer é descoberto, maiores são as possibilidades de tratamento menos agressivo e de cura. A SBM recomenda mamografia anual para mulheres de risco habitual a partir dos 40 anos até os 74, enquanto o Instituto Nacional do Câncer (Inca) recomenda dos 50 aos 69, a cada dois anos, no âmbito de suas diretrizes para o SUS”, afirma Roberta.

De acordo com o Inca, quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. Também entram nesta equação alterações genéticas, mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, além de sedentarismo, consumo de bebidas alcoólicas e sobrepeso ou obesidade após a menopausa.

Por outro lado, a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado e amamentação estão entre as medidas associadas à proteção.

A médica destaca que o desafio não está apenas em ensinar a mulher a se examinar, mas em garantir acesso ao rastreamento, avaliação médica e ao tratamento no momento em que a doença ainda oferece melhores perspectivas de controle.

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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