Participo de vários grupos de WhatsApp. Um deles é da praça onde moro. Uma das integrantes do grupo postou um texto interessante na semana passada. Não é dela. Provavelmente, recebeu de alguém, coisas da internet.


Fiz pesquisas para descobrir a autoria, mas não consegui. Pode-se dizer que é de um autor desconhecido. “Surgiu” em 2024, correu as redes sociais. Sumiu e, pelo visto, está reaparecendo agora.
“Uma professora pediu para os alunos escreverem um texto sobre o que gostariam de ser. Um garotinho resolveu responder diferente. E sua redação arrancou gargalhadas e suspiros de toda a sala. Ele escreveu:


‘Eu não quero ser presidente, médico ou cientista. Meu maior sonho é ser um idoso, porque parece ser a fase mais divertida da vida!


Fico observando meu avô. Ele pode acordar tarde, sem ninguém gritar ‘vai perder a hora!’. Pode tirar cochilo depois do almoço sem culpa e chama isso de ‘repouso merecido’, o que parece muito chique, mais do que simplesmente dormir sentado vendo televisão.


Meu avô também pode assistir televisão em paz, dormir cedo no sofá e ninguém manda ele desligar a TV, igual ficam me mandando desligar o videogame ou estudar matemática. Não existe prova surpresa para aposentado. A única surpresa é descobrir onde colocou os óculos, que sempre estão na sua cabeça.


E os idosos de hoje não vivem apenas sentados em bancos de praça olhando o movimento. A maioria acorda cedo para correr no parque, faz musculação, pilates, hidroginástica, joga beach tennis na praia com mais energia do que muito jovem que passa o dia inteiro reclamando da vida na internet. Outros fazem trilhas, pedalam quilômetros, dançam, pintam quadros, aprendem instrumentos musicais e transformam a aposentadoria numa espécie de segunda juventude, só que, agora, com menos pressa e muito mais sabedoria.


E têm muitas vantagens: café da manhã, chá da tarde, leite de noite e tem uma coisa impressionante, ele consegue transformar qualquer remédio em parte da alimentação e sente prazer.


Isso sem falar que os idosos entram no ônibus como celebridades discretas: sempre aparece alguém oferecendo lugar. É a única vez que levantar da cadeira para alguém é sinal máximo de respeito e não expulsão educada.


Outra vantagem é que o idoso pode fazer o que gosta sem precisar pedir autorização pra ninguém. Pode cantar, dançar, viajar, jogar dominó, cuidar das plantas. E, se tiver dinheiro no bolso, vira um aventureiro internacional com desconto em passagem e prioridade na fila.
Então, virar idoso é realmente incrível!”


E talvez seja mesmo. Porque a juventude vive correndo atrás do relógio, enquanto muitos idosos finalmente aprendem que a vida não era corrida, era passeio. Talvez envelhecer não seja perder velocidade, seja apenas descobrir que não havia prêmio algum para quem chegasse primeiro.


A verdade é que muita gente envelhece sem perceber o próprio privilégio. Sobreviveu às tempestades, aprendeu com os tombos, criou histórias, colecionou afetos e ganhou aquilo que o tempo oferece de mais raro: liberdade para viver do seu jeito.


Este texto é dedicado a todos os idosos, especialmente aos que ainda riem alto, contam histórias repetidas e continuam encontrando beleza nas pequenas coisas.


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