Pesquisa da YouGov mostra que um terço dos brasileiros compra roupas e calçados a partir de ofertas digitais. Por outro lado, aponta que o poder da influência de celebridades tem diminuído bastante. Apenas 23% afirmam seguir famosos para acompanhar as tendências de moda.

O brasileiro está menos interessado em seguir celebridades, embora continue cada vez mais conectado às redes sociais para decidir o que vai vestir. A multinacional YouGov, referência em pesquisa de consumo on-line, traçou um retrato de percepções e comportamentos em relação a roupas, calçados e varejistas no Brasil.

De acordo com o levantamento, 33% dos entrevistados discordam totalmente da ideia de acompanhar celebridades para identificar tendências, enquanto apenas 9% afirmam concordar plenamente com elas.

Ao mesmo tempo, as redes sociais surgem como o principal gatilho para compras: um em cada três brasileiros (33%) disse ter adquirido roupas ou calçados após receber oferta em plataformas digitais. Essa influência supera a da TV (22%) e dos e-mails promocionais de marcas (16%).

Outro dado relevante é o gosto pela experimentação. A pesquisa mostra que 63% dos consumidores gostam de testar novas marcas, reforçando o espaço para players emergentes disputarem atenção com gigantes consolidados. Na lista das mais recomendadas pelos brasileiros nos últimos 60 dias, só há marcas de calçados esportivos e de lazer.

David Eastman, diretor-geral da YouGov no Brasil, afirma que esses números refletem a transformação estrutural da forma como o brasileiro consome moda.

“As pessoas já não se orientam tanto por celebridades, mas pela experiência direta e pela descoberta de produtos em plataformas digitais. O peso das redes sociais no gatilho de compra mostra que a decisão do consumidor está cada vez mais pulverizada e imediata”, explica.

Segundo Eastman, este cenário traz um alerta para o varejo. “Se, por um lado, as grandes marcas seguem na liderança da recomendação, o espaço para que novos players conquistem mercado nunca foi tão grande. O consumidor está disposto a experimentar, e quem souber traduzir isso em comunicação relevante terá vantagem.”

Vale ressaltar que nos 10 primeiros lugares não há marcas de roupa casual ou de festa. Só esportiva. O que representa a compra por parte do público mais jovem.

A pesquisa ainda revela que 27% dos consumidores permanecem neutros em relação a seguir tendências de moda. De acordo com especialistas, esse grupo pode ser decisivo para varejistas que invistam em estratégias de personalização, unindo promoções direcionadas e experiências digitais imersivas.

No setor em que a fidelidade é cada vez menor e o apelo da novidade cresce, a mensagem da pesquisa é clara: o futuro da moda no Brasil passa menos pelo brilho das celebridades e mais pela capacidade de engajamento direto com o consumidor.


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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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