A popularização dos medicamentos GLP-1 para emagrecimento está produzindo efeitos que vão muito além da saúde e da estética. Nos Estados Unidos, o uso das canetas emagrecedoras começa a influenciar também o mercado de moda. Algumas marcas estão revendo suas coleções e reduzindo a oferta de tamanhos plus size.

 


Mas isso tem dois lados da moeda. O lado bom é que está ocorrendo uma redução no número de obesos no país, fato que vem preocupando fortemente os médicos e profissionais que trabalham com a saúde. O outro lado é a indignação dos consumidores plus size que, durante anos, lutaram por maior inclusão nas lojas e agora começam a perder espaço.


A lógica empresarial é relativamente simples: se o comportamento de compra muda, as empresas ajustam seus estoques. O problema é que roupas não são apenas produtos. Elas também comunicam quem é considerado parte do público de uma marca.


Nos últimos anos, a indústria havia ampliado suas grades de tamanhos. O movimento acompanhava uma mudança cultural importante, com maior valorização da diversidade corporal. Consumidores maiores passaram a exigir roupas modernas, acessíveis e disponíveis nas mesmas lojas que atendiam os demais públicos.


A ascensão dos medicamentos para perda de peso coloca essa conquista sob pressão. Com mais pessoas utilizando medicamentos da classe GLP-1, algumas empresas apostam que a demanda por tamanhos maiores poderá diminuir. Mas essa conclusão está longe de ser tão simples.

Emagrecer não significa necessariamente deixar de vestir tamanhos grandes. Além disso, os efeitos dos tratamentos variam de pessoa para pessoa. Há consumidores que não utilizam esses medicamentos e não pretendem utilizá-los.


Também existem questões de acesso, custo, indicação médica e preferência individual. Reduzir a oferta de tamanhos grandes com base em uma tendência de emagrecimento pode deixar uma parcela significativa do público sem opções. Para quem compra roupas plus size, é a sensação de voltar a um período em que encontrar uma peça adequada exigia procurar lojas específicas. É um retrocesso.


As marcas, por outro lado, enfrentam uma questão legítima de negócios. Produzir mais tamanhos aumenta custos e torna a administração de estoques mais complexa. Se determinados produtos permanecem nas prateleiras enquanto outros vendem rapidamente, o varejista precisa tomar decisões.


Mas existem alternativas à retirada pura e simples. Produção sob demanda, estoques menores e distribuição mais inteligente podem ajudar a preservar a variedade. A tecnologia também permite que as empresas entendam melhor a demanda sem necessariamente abandonar consumidores.


Outro ponto importante é que o fenômeno dos GLP-1 ainda está em transformação. Não é possível saber com precisão como os padrões de consumo irão evoluir.


Corpos podem mudar. Medicamentos podem mudar. Tendências também. O compromisso com a inclusão não deveria desaparecer na primeira mudança do mercado. Talvez o verdadeiro teste da moda inclusiva seja continuar oferecendo espaço para diferentes corpos quando eles deixam de representar a tendência dominante.


Vestir-se bem não deveria depender de alcançar uma determinada silhueta. E nenhuma revolução na perda de peso deveria transformar o tamanho da roupa em uma nova medida de pertencimento.

 

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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