O encanto que o jornal impresso causa nas crianças
Em um encontro com amigos, a oportunidade de constatar que, mesmo em um mundo virtual, o jornal físico desperta a atenção das crianças
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SIGA NONa última sexta-feira, encontrei com um grupo de amigos por causa de um aniversário. Um casal muito querido que estava lá era Tatiana e Sérgio Botrel – ele eu conheço desde pequena porque nossas mães sempre foram amigas, frequentavam a 1ª Igreja Presbiteriana. Sérgio é médico anestesista da mais alta competência e tem um coração do tamanho do mundo, por sinal, isso é característica da família, herança dos pais.
Conversando com Tatiana, ela me contou que na semana seu neto mais velho, Gabriel Botrel, de 6 anos, chegou em sua casa com um jornal miniatura de brinquedo. Ele estuda no Colégio Santo Agostinho, e sua turma está estudando sobre jornal. Ela me contou que, apesar de estudarem o tema, o jornal físico não havia sido apresentado aos alunos, ou seja, o neto dela nunca tinha visto um jornal de “verdade”.
Eu não poderia perder essa oportunidade. Falei que levaria um exemplar da edição de fim de semana, no dia seguinte, para ela mostrar ao netinho. Por coincidência, estava publicando na coluna social que faço no, “Caderno Feminino”, uma foto dela com duas amigas, na cobertura de um aniversário. E seria muito interessante ele conhecer o jornal e ver na mesma edição a foto de sua avó e nome dela e do avô na nota escrita – Gabriel está aprendendo a ler letra cursiva.
Quando cheguei na casa de Sérgio e Tatiana, os três netos estavam lá: Gabriel, de 6 anos, o irmão Rafael, de 3, e o primo Miguel, de 2. Entreguei o jornal e a primeira coisa que fiz foi mostrar a foto da vovó. Os três vibraram, a vovó ficou feliz, agradeceu, e foram mostrar para o vovô. Até aí tudo normal.
Eu me sentei no sofá e Gabriel, de forma discreta, sem alarde, se sentou coladinho a mim. No primeiro momento estranhei, porque já tinha ido lá outras vezes e ele nunca me deu muita bola. Ele pegou o jornal e colocou em seu colo, e entendi que ele queria conhecer aquela novidade comigo.
Como muito leitor faz, ele começou de trás pra frente. Ri por dentro porque é assim que eu leio o jornal, pelo “avesso”, sentada no sofá, tomando meu café da manhã. Folheamos toda a edição e fui explicando a ele cada editoria e cada matéria. E ele atento e interessado.
Mostrei as colunas que escrevi, os anúncios, e a mãe de Gabriel ajudou fazendo as associações com o mundo que ele conhece: o TikTok. “Anúncio é igual aqueles do TikTok que você pula.” Segurei para não rir e fui na onda. “Isso, anúncio a gente pula.” Que me perdoem nossos anunciantes, mas disse a ele sobre cada anunciante. Fiz o comercial.
Logo que começamos a “vasculhar” o impresso, vejo que o Miguel, o priminho de 2 anos, estava em outro sofá, perto do avô, fazendo um protesto muito sentido. Estava muito chateado comigo porque eu não levei o jornal dele, só o da vovó. Como assim? Queria outro exemplar? Eu poderia levar depois. E ele balançando o pezinho e batendo a mãozinha na perna dizia: “Tô muito chateado porque a Bela não trouxe o meu jornal, com o meu nome”.
Fiquei literalmente encantada com a reação dos dois. Do pequeno Miguel, que tão novinho percebeu a importância de ter seu nome em um jornal. E do interesse do Gabriel, de 6 anos, que fez questão de conhecer todo o jornal, e a cada página virada fazia uma pergunta. Fiquei feliz de saber que Gabriel é um grande leitor.
Claro que quando vi tudo aquilo sabia que escreveria sobre esse encontro, e disse ao Miguel que o nome dele sairia no jornal. Em agradecimento, ganhei um beijão dele. Está aí, Miguel Botrel, seu nome no seu jornal ao lado de seus primos.
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Em um mundo no qual as telas dominam a atenção das crianças, é emocionante ver que o jornal impresso ainda encanta e fascina.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
