Pesquisa apontou que visitar galeria de arte ou pintar uma vez por semana pode retardar o envelhecimento biológico na mesma proporção que o exercício físico regular.
Daisy Fancourt, pesquisadora do Instituto de Epidemiologia e Cuidados de Saúde da University College London, comandou um estudo, publicado na revista Innovation in Aging, que demonstrou o impacto das artes na saúde em nível biológico. De acordo com ela, praticantes de atividades artísticas e culturais apresentaram alterações no DNA que indicavam envelhecimento mais lento.
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Pesquisadores utilizaram sete testes para examinar padrões de metilação do DNA. À medida que envelhecemos, marcas químicas que se ligam ao DNA servem como marcadores da idade biológica.
A idade biológica é medida pela eficiência do funcionamento das células e dos sistemas internos, enquanto a idade cronológica mede o tempo real de vida.
Pessoas que participaram com mais frequência ou se envolviam em atividades artísticas pareciam envelhecer cerca de 4% mais lentamente do que aquelas que raramente fizeram isso, taxa comparável aos efeitos do exercício físico regular.
A prática de atividades artísticas três vezes por ano foi associada ao envelhecimento cerca de 2% a 4% mais lento. Exercícios físicos, pelo menos semanalmente, estavam associados à idade biológica cerca de seis vezes menor do que a idade cronológica.
Os efeitos foram mais acentuados entre adultos com 40 anos ou mais e se mantiveram mesmo depois de serem considerados fatores como peso corporal, tabagismo, escolaridade e renda. As atividades artísticas relatadas foram pintura, desenho, fotografia, artesanato, canto, tocar instrumentos, ouvir música e dança.
Carolyn Lam, editora-adjunta do Journal of the American College of Cardiology, disse que a prática de diversas formas de arte é benéfica, porque cada atividade oferece diferentes benefícios para a saúde, incluindo estímulo físico, mental e social. Elas reduzem o estresse, diminuem a inflamação e melhoram a saúde do coração.
A doutora Lam, que é dançarina de salão, destacou que, como cardiologista, considera que a dança se situa “exatamente” na interseção dos benefícios identificados pelo estudo.
A dança exige que corpo e mente trabalhem em tempo real, ou seja, frequência cardíaca, respiração, equilíbrio, parceiro, música e memória, tudo ao mesmo tempo.
São necessários mais estudos para determinar se praticar atividades artísticas mais tarde pode retardar o envelhecimento e com que frequência as pessoas precisam participar delas para perceber os benefícios.
Lam destaca o valor real das descobertas, especialmente para pessoas que têm dificuldades com exercícios convencionais, como idosos frágeis ou com múltiplas comorbidades, para os quais o exercício vigoroso é difícil. As artes podem oferecer um caminho paralelo e acessível para alguns benefícios biológicos.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
