As pessoas são diferentes, ninguém é igual. Cada um tem um jeito de ser, um dom, um talento, uma competência. Fomos criados para vivermos em sociedade, em grupo e somos seres complementares, dessa forma o que eu tenho eu compartilho com o outro e o que falta em mim me é dado pelo outro, que o tem. Se só convivermos e nos relacionarmos com pessoas que são iguais a nós, sempre haverá falta e nunca terá troca.

A inveja nada mais é do que desejar o que o outro tem e que falta em você, e nasce uma profunda insatisfação por não ter o mesmo – como sucesso, bens, beleza, inteligência ou felicidade –, enfim, em qualquer âmbito. O gatilho não é o que o outro tem, mas a sensação de vazio, inferioridade e a crença de que o outro não merecia tal conquista. E pode ser consciente ou inconsciente. E não passa necessariamente por dinheiro ou coisas materiais, mas pode envolver isso também.

Beleza, elegância, delicadeza, simpatia, cultura, amizades, trabalho, casa, carro, roupas, joias, bijuterias, bolsas e até mesmo cabelo e unhas bonitas podem provocar inveja. Tudo e qualquer coisa que o outro não tenha e se sinta tão incomodado que não consegue apenas admirar, quer ter.

Pergunto: se somos seres complementares, por que não admirar e conviver para aprender a ser o que te falta? Claro que algumas coisas são impossíveis de ter, mas outras podemos aprender, porque a vida é um grande aprendizado e, enquanto estivermos por aqui, aprenderemos alguma coisa a cada dia.

Mas não, o invejoso quer ter e, se não tem, quer humilhar, constranger, destruir o outro que tem, mesmo que isso acabe por prejudicá-lo também.

Como perceber se alguém é invejoso? Existem três sinais que são tiro e queda: se você contar uma conquista e alguém desvalorizar o que falou, atribuindo seu sucesso à sorte ou ao acaso, abra o olho. Outro sinal: o falso entusiasmo ou frieza ao saber de algo bom que te aconteceu e, por fim, a competição constante em transformar qualquer conversa ou situação em uma disputa. Você conta um caso, e a pessoa conta um semelhante sobre ela, mas maior, para diminuir o seu.

Vamos pegar outro exemplo: uma pessoa que é sozinha, tem poucos amigos. E um de seus amigos começa a trazer esse “ermitão” para sua turma que é animada, sai muito, se diverte. Na minha modesta opinião, é maravilhoso. A pessoa que antes ficava muito sozinha conhece pessoas novas, passa a ter uma vida social mais ativa, animada. O dia a dia fica mais colorido.

Mas isso ressalta mais ainda o que essa pessoa não tinha – bons relacionamentos, amigos animados, vida agitada –, e isso toca fundo, a inveja nasce forte justamente contra o amigo que abriu esse universo para essa pessoa. E começam agressões gratuitas, inexplicáveis. Resultado: o amigo se afasta, e a pessoa volta a ficar sozinha e culpa o amigo.

Mais um exemplo: A pessoa pode ser rica, bem-sucedida, mas não teve ou não tem uma família estruturada, unida, amorosa. E convive com alguém que, mesmo não tendo o nível socioeconômico dela, tem a família que ela gostaria de ter, a inveja nasce.

E a quantidade de mentiras que os invejosos levantam contra seus alvos e falam “a boca miúda”, como se dizia antigamente, para tentar minar e contaminar seus alvos. O que eles não percebem é que, nessa luta solitária para destruir seus focos de inveja, os mais prejudicados são eles mesmos, que acabam mostrando sua face oculta, aquele lado feio que todos tentam esconder. Afinal, ninguém é perfeito, todos temos defeitos, mas ninguém gosta de exibi-los.

Não seria muito melhor ficar feliz pela vitória do outro, vibrar junto e conviver com quem pode te complementar?

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

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