Um dos principais motivos pelos quais as pessoas espalham fofocas prejudiciais são problemas não resolvidos em suas próprias vidas. Pessoas feridas ferem outras pessoas, afirmam especialistas em comportamento e desenvolvimento humano.
De acordo com eles, a fofoca não precisa necessariamente prejudicar, tudo depende de como é usada. Feita com sabedoria, pode até proteger, informar ou conectar pessoas; usada de forma descuidada, pode prejudicar relacionamentos e até afetar a saúde física.
Desculpem, mas nunca vi fofoca protetora. Afinal de contas, por que fofocamos?
Uma das 100 pesquisadoras de fofoca no mundo, a doutora em comunicação Shawne Duperon diz que os seres humanos são antropologicamente programados para fofocar e não podem deixar de fazê-lo. Vale ressaltar que ela criou o Project Forgive, fundação de liderança sem fins lucrativos indicada ao Prêmio Nobel da Paz em 2016.
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Eshin Jolly, doutor em psicologia pela Universidade da Califórnia, afirma que a fofoca é uma ferramenta com múltiplas funções: criar laços, compartilhar experiências e ajudar as pessoas a ajustarem seu comportamento.
A fofoca negativa pode prejudicar não apenas a reputação e os relacionamentos, mas também a saúde. Quem foi alvo de fofocas maldosas sabe que dói. Quando a reputação de alguém é ameaçada ou essa pessoa se sente excluída, o corpo pode entrar em modo de “luta ou fuga”, liberando hormônios do estresse como cortisol e adrenalina. Isso contribui para ansiedade, depressão, dores de cabeça e problemas digestivos.
Com as redes sociais, a fofoca se espalha muito rapidamente, tornando-se mais perigosa. Parte do que a torna tão atraente, online ou offline, tem origem neurológica. Ela ativa o sistema de recompensa do cérebro, liberando dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, e ocitocina, que promove o vínculo social. No entanto, a fofoca digital dilui as nuances de uma forma que raramente ocorre em conversas presenciais.
Especialistas apontam que fofocas nas redes sociais são reduzidas a narrativas simples e fáceis de digerir, com vencedores, perdedores, heróis e vilões bem definidos. A informação falsa se espalha mais depressa porque tende a ser inovadora, incomum, ameaçadora e emocionalmente envolvente.
Antes de fazer fofoca, passe-a por este filtro: não diga nada que você não diria na frente da pessoa em questão.
Antes de se deixar levar pela tentação de fofocar, pergunte-se: o que você está prestes a dizer é pesado e maldoso? Fato é que a fofoca tem o poder de unir as pessoas ou separá-las. Segundo Shawne Duperon, a fofoca não é o problema, mas sim como a usamos.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
