Embora a nutrição tenha um efeito importante durante o tratamento, os oncologistas muitas vezes evitam dar conselhos, principalmente sobre suplementos. A orientação dietética individualizada durante o tratamento é importante para que se possa evitar a perda de peso indesejável ou o ganho de peso excessivo. Durante os tratamentos de câncer com quimioterapia ou radioterapia, os pacientes frequentemente apresentam náuseas, vômitos, diarreia e perda de apetite, o que leva a uma menor ingestão de componentes dietéticos e à perda de peso. A ingestão suplementar de vitaminas e minerais essenciais pode parecer desejável, mas nem sempre o é. 

Antes de tomar qualquer suplemento, os pacientes devem discutir o assunto com seus médicos, pois as interações dietéticas com o tratamento podem afetar o resultado da terapia. De especial preocupação aqui são os suplementos dietéticos com propriedades antioxidantes, mas os suplementos sem propriedades antioxidantes também podem influenciar a eficácia dos tratamentos de câncer.

Os suplementos dietéticos incluem macronutrientes, vitaminas e minerais que são essenciais para a saúde humana, bem como uma ampla variedade de nutrientes não essenciais, como certos fitoquímicos, hormônios e ervas. 

A recomendação para pacientes com câncer é tomar apenas doses moderadas de suplementos, porque as evidências de estudos clínicos em humanos que confirmam sua segurança e benefícios são limitadas. O uso de suplementos alimentares durante o tratamento do câncer continua sendo controverso.

Nos Estados Unidos, a frequência de uso de terapias complementares e alternativas (TCA) em pacientes adultos com câncer é de aproximadamente 36%. É possível que a combinação de medicamentos oncológicos utilizados por esses pacientes com as TCA que eles usam possa interagir, causando efeitos adversos. Quando suplementos alimentares/ervas e medicamentos oncológicos são tomados em conjunto, sempre existe o risco de o suplemento afetar a farmacocinética ou a farmacodinâmica do medicamento. Muitas interações medicamentosas ocorrem devido aos efeitos do suplemento em enzimas específicas ou em componentes envolvidos na FC do medicamento, como a forma como o medicamento é metabolizado e transportado. 

O relato e o estudo dessas interações são importantes para que os profissionais de saúde possam ajudar os pacientes a conciliar o uso de TCA com as terapias oncológicas padrão, evitando assim efeitos adversos evitáveis. Consultas de oncologia integrativa, disponíveis em diversos serviços de tratamento oncológico, podem envolver os pacientes em discussões baseadas em evidências sobre a recomendação ou a suspensão de suplementos, bem como abordar questões sobre terapias alternativas.

 

 

Suplementos Inibidores/Indutores das enzimas do Citocromo P450

Um dos principais grupos de enzimas envolvidas no metabolismo de muitos fármacos anticancerígenos é a superfamília de enzimas do citocromo P450 (CYP). Essas enzimas desempenham um papel importante na ativação e inativação de vários fármacos. Outro componente envolvido no metabolismo e excreção de muitos fármacos é a proteína transportadora glicoproteína P (P-gp). A P-gp atua no intestino como uma bomba de efluxo de fármacos, regulando a biodisponibilidade do medicamento. Vários fármacos anticancerígenos são substratos da P-gp; portanto, se a P-gp ou qualquer enzima CYP for afetada, o fármaco que ela processa também será afetado.

A farmacocinética de um fármaco prediz os resultados terapêuticos para o paciente. Sabe-se que várias ervas e suplementos alimentares influenciam a PK de certos fármacos, como a erva-de-são-joão. Atualmente, a pesquisa sobre interações farmacocinéticas entre suplementos alimentares e fármacos anticancerígenos é limitada, mas existem evidências de várias possíveis interações e reações adversas.

Pacientes que se alimentam bem não devem apresentar deficiências nutricionais durante o tratamento do câncer, exceto em casos excepcionais. Aqueles que apresentam anemia devido à destruição de glóbulos vermelhos podem se beneficiar da suplementação ou infusão de ferro, mas devem consultar um médico primeiro. Além disso, deficiências de vitamina D podem surgir, exigindo suplementação.

Além da possível suplementação de ferro e vitamina D, outros suplementos, como os destinados a “fortalecer o sistema imunológico”,  podem interferir na eficácia da quimioterapia ou radioterapia.

Cada tipo de câncer é diferente, e o tratamento é individualizado. Existem questões específicas. Por exemplo, se o paciente apresenta náuseas e vômitos, provavelmente está perdendo muito líquido e não está conseguindo reter as calorias. Mas de modo geral, se o paciente  se alimenta bem, não deve apresentar deficiência de nenhuma vitamina específica. O próprio tratamento do câncer pode causar anemia, pois há destruição de células – especialmente de glóbulos vermelhos. O médico pode prescrever suplementação de ferro ou uma infusão de ferro. Se você tem deficiência de vitamina D, o que acontece com muitos de nós, mesmo sem câncer, o médico pode recomendar um suplemento de vitamina D. Fora isso, não é recomendado  nenhum suplemento durante o tratamento do câncer.

Certos suplementos podem ser ricos em antioxidantes, por exemplo, e isso pode interferir na quimioterapia ou radioterapia. Pacientes que não sabem disso podem ter amigos e familiares que lhes dão suplementos potentes ou bebidas que supostamente fortalecem o sistema imunológico. E isso pode interferir em alguns dos tratamentos que são oferecidos aos pacientes.

 

 

Podemos estabelecer diante do que já foi estudado as seguintes informações principais:

A combinação de medicamentos oncológicos utilizados pelos pacientes com terapias complementares e alternativas pode interagir, causando efeitos adversos.

A pesquisa sobre interações da farmacocinética  entre suplementos alimentares e medicamentos oncológicos é limitada, mas existem evidências de diversas interações e reações adversas possíveis.

Para muitos suplementos antioxidantes específicos, as informações disponíveis são insuficientes para determinar se são seguros e eficazes como terapia complementar ao tratamento oncológico padrão.

Certos componentes de alimentos e suplementos alimentares (por exemplo, erva-de-são-joão, suco de toranja e galato de epigalocatequina do chá verde) podem alterar a farmacocinética de tipos específicos de medicamentos.

Algumas pesquisas demonstraram uma interação FC entre o suco de toranja e o imatinibe, tanto em suplementos alimentares/alimentos quanto em medicamentos.


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