A dois dias de deixar o governo de Minas, Romeu Zema tem repetido a aliados uma mesma avaliação reservada. Para ele, a corrida presidencial pode seguir roteiro semelhante ao vivido em 2018, quando começou como franco azarão, não acreditava chegar ao segundo turno e acabou eleito. A lembrança recorrente de que, naquela campanha, tinha inclusive viagem internacional já programada reforça no entorno do pré-candidato a convicção de que uma virada tardia seria possível também agora. Por isso, segundo interlocutores, o mineiro demonstra menos preocupação com as pesquisas neste momento e aposta na construção gradual de visibilidade nacional.

É nesse contexto que se insere o primeiro movimento eleitoral após a desincompatibilização, marcada para domingo. O ponto de partida será Ribeirão Preto, no interior paulista, escolhido como vitrine inicial de uma estratégia que prioriza nichos considerados mais receptivos. Na terça, Zema participa de atividade política organizada pelo diretório do Novo e de um encontro religioso. No dia seguinte, marca presença no Agroday, evento voltado ao agronegócio, setor visto pela campanha como um dos pilares para ampliar a base eleitoral fora de Minas.

 

O roteiro faz parte de um giro mais amplo. A pré-campanha prevê, já em abril, uma sequência de agendas no Sul do país, com passagens por Chapecó, São Miguel do Oeste, Campos Novos, Erechim, Passo Fundo, Caxias do Sul e Porto Alegre. A leitura interna é de que o eleitorado urbano dessas regiões, combinado ao público ligado ao agro no interior de São Paulo, pode oferecer ao governador um espaço político que hoje aparece fragmentado entre outros nomes da centro-direita e do campo conservador. Em 16 de abril, o Novo planeja lançar o programa de governo na capital paulista, em tentativa de dar maior densidade à candidatura de Zema.

Nos bastidores, a orientação é calibrar também o discurso. Aliados defendem que o pré-candidato adote postura mais combativa e explore a narrativa de independência em relação ao sistema político tradicional e ao Judiciário, como forma de ganhar evidência em um cenário de baixa competitividade inicial. A estratégia ocorre enquanto cresce a pressão do PL para que Zema reavalie a permanência na disputa presidencial. Dirigentes do partido têm sinalizado, em conversas reservadas, a possibilidade de composição nacional e deixado claro que a insistência na candidatura pode ter reflexos diretos na sucessão em Minas.

O apoio do Novo ao projeto de reeleição do vice-governador Mateus Simões segue indefinido. Caso não se confirme o acordo que garantiria ao partido a indicação do candidato a vice, a legenda admite neutralidade no estado. Declarações recentes do deputado estadual Cássio Soares, presidente do PSD mineiro, reforçaram o clima de incerteza ao admitir que o entendimento poderia ser revisto.

Entre a confiança pessoal na repetição de uma virada eleitoral e a necessidade de construir espaço em um cenário nacional mais competitivo, Zema inicia a caminhada presidencial tentando transformar memória política em estratégia. A aposta é crescer quando a disputa já estiver em andamento e quando parte do eleitorado passar a buscar alternativas fora dos polos mais consolidados.


QUERIDINHA

Chamou atenção nos bastidores da filiação em massa ao PL, o tratamento diferenciado dado à deputada Chiara Biondini. Entre os novos nomes que chegaram ao partido, ela foi a única a receber aval público e explícito do deputado federal Nikolas Ferreira. Enquanto outras lideranças que também se filiaram, como Greyce Elias e Delegada Ione, tiveram recepção protocolar, Chiara foi chamada para foto, recebeu abraço e ainda ganhou uma frase de efeito do parlamentar, repetida por aliados como sinal de prestígio político: “Fez mais pelo PP que muita gente do PL”.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


PT e PL

Ex-secretário nacional do Ministério do Esporte no governo Lula, o paulista Thiago Milhim passou a se movimentar nos bastidores para tentar se viabilizar politicamente em Minas Gerais e agora articula filiação ao PL de olho nas eleições de 2026. A estratégia é se aproximar da estrutura eleitoral ligada ao deputado federaç Nikolas Ferreira, principal puxador de votos do partido no estado.

compartilhe