Sentado à esquerda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado Nikolas Ferreira ocupava posição central na reunião da bancada mineira do PL na última quarta-feira. Enquanto o partido discutia filiações e o cenário de 2026, prevalecia uma lógica interna: quem lidera articula; quem preside delibera.

Em Minas Gerais, o grupo está dividido. Parte dos parlamentares defende o senador Cleitinho (Republicanos) como candidato ao governo, em vez do vice-governador Mateus Simões (PSD). A avaliação também circula no entorno do pré-candidato à Presidência. A reunião terminou sem definição sobre a candidatura majoritária.

Ficou claro nos bastidores que, por ora, existem dois comandos distintos. Nikolas concentra força sobre as chapas proporcionais, a montagem da chapa, a atração de candidatos competitivos e o desenho da bancada federal. O governo, porém, não está em suas mãos. A palavra final sobre a candidatura ao Palácio Tiradentes caberá a Flávio Bolsonaro.

A divisão é estratégica. Como um dos maiores puxadores de votos do estado, Nikolas influencia diretamente o tamanho da bancada. Quem controla a chapa federal controla o poder interno do partido em Minas. É aí que ele atua.

Já a majoritária envolve cálculo nacional. Deputados avaliam que a aproximação entre Nikolas e Simões começou menos como aliança eleitoral e mais como troca de interesses: o deputado precisa consolidar entregas e capilaridade institucional; o vice precisa de popularidade. A equação seria funcional no plano estadual, mas a decisão final depende do projeto presidencial.

A coluna apurou que, à exceção de Nikolas e do presidente estadual Domingos Sávio, a maioria dos federais do PL em Minas considera Cleitinho mais viável, apesar de divergências recentes. O senador, criticado por setores ideológicos ao apoiar pautas como auxílio-gás e escala 6x1, é visto como leal ao bolsonarismo.

Apresentado a Jair Bolsonaro pelo deputado estadual Bruno Engler, construiu carreira exaltando a família e mantendo-se alinhado à direita mais dura, ainda que com gestos pontuais a outras lideranças. Ao mesmo tempo, tornou-se o que bolsonaristas chamam de “moderado”: popular, bem-humorado e com trânsito ampliado.

Flávio já sinalizou a interlocutores que pretende adotar postura mais moderada. Nesse desenho, o palanque mineiro precisa dialogar com expansão eleitoral. Cleitinho, líder nas pesquisas e sem amarras partidárias nacionais, ao contrário de Simões, dependente do PSD e da posição de Romeu Zema, encaixa-se nesse perfil. Já declarou lealdade a Flávio e não condiciona sua candidatura a projetos paralelos.

A tensão ganhou corpo quando vieram a público anotações atribuídas a Flávio. No trecho sobre Minas, consta que Simões “puxa para baixo” o projeto presidencial. Em outro ponto, aparece “conversa com Nikolas”, reforçando seu papel central na organização estadual, mas não necessariamente na decisão final.

Ainda assim, há quem relativize seu protagonismo. Em entrevista ao Estado de Minas, o deputado estadual Caporezzo (PL) afirmou que Nikolas não fecha acordos sozinho. “Bolsonaro pode autorizar a dialogar, mas quem bate o martelo é ele”.

A reunião desta semana ocorreu nesse ambiente. Domingos Sávio classificou o encontro como “muito bom”. Já o deputado Zé Vitor ironizou: “Nem indefinição, nem definição. Agora é apenas filiações. Neste momento, apenas quem precisa se desligar ou descompatibilizar”.

A frase sintetiza o momento. Não houve martelo sobre governo ou Senado porque esse martelo não está em Belo Horizonte. O foco imediato é organizar a nominata e evitar dispersão. A majoritária depende de Brasília.
Minas é hoje a peça mais sensível do tabuleiro bolsonarista para 2026. Nikolas organiza as chapas menores. Flávio decide o governo. Até lá, o deputado ocupa o centro da foto, mas a canetada final está em outras mãos.

 


Chuvas

A tragédia provocada pelas fortes chuvas na Zona da Mata mineira levou uma série de lideranças políticas às ruas de Juiz de Fora e região nos últimos dias. Chamou atenção a presença simultânea de parlamentares e gestores públicos atuando diretamente nas áreas atingidas. A deputada federal Ana Pimentel (PT), ex-secretária municipal de Saúde, tem acompanhado as ações locais. O deputado federal Pedro Aihara (PRD) e o prefeito de Brumadinho, Gabriel Parreiras (PRD), também estão na região e participam de frentes de apoio, incluindo salvamentos e distribuição de doações a famílias afetadas. Já o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) tornou-se alvo de questionamento político. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) anunciou que vai acionar a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o parlamentar mineiro, sob a alegação de que ele teria atrapalhado trabalhos de resgate e reconstrução em Ubá durante visita à área atingida.

 

 

Almoço

Cotado como possível candidato ao governo de Minas com apoio de Luiz Inácio Lula da Silva, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) almoçou com o deputado federal Aécio Neves (PSDB) para tratar de uma possível aliança eleitoral em 2026. De acordo com aliados, a conversa incluiu dois cenários: Pacheco encabeçando a chapa ao Palácio Tiradentes com Aécio na disputa ao Senado, ou o tucano como candidato a governador com o apoio do senador. Interlocutores relatam que Aécio ponderou sobre a composição, mas reiterou que não apoiará a reeleição de Lula “em hipótese alguma”. Apesar do avanço no diálogo, não houve definição.


Encontro marcado

Após agenda com Aécio, Rodrigo Pacheco almoça, na próxima quarta-feira (4/3), com a cúpula do MDB. O senador receberá, em sua residência, em Brasília, os presidentes nacional, estadual e municipal da legenda: Baleia Rossi, Newton Cardoso Jr e Gabriel Azevedo. As direções nacional, estadual e municipal do partido também negam, até o momento, qualquer filiação formal do senador à legenda. Segundo fonte ligada ao núcleo do MDB, Pacheco é considerado “bem-vindo” ao partido. Ainda assim, mesmo em caso de eventual filiação, o nome mantido como pré-candidato ao governo segue sendo o de Gabriel Azevedo.

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Permissão

A direção municipal é responsável pelos processos de filiação em Belo Horizonte, incluindo novas adesões. Como o domicílio eleitoral de Pacheco é na capital, uma eventual entrada no MDB dependeria do aval de Gabriel, presidente da legenda na cidade.

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