Uma pesquisa conduzida por Andrei Sourakov, coordenador de coleções no Museu de História Natural da Flórida e professor na Universidade da Flórida, revelou como substâncias simples modificam asas de mariposas. O trabalho analisou o desenvolvimento das espécies mariposa-lua (Actias luna) e mariposa-polifemo (Antheraea polyphemus).
Com a aplicação de pequenas doses de heparina e sulfato de dextrana em estágios cruciais, o pesquisador alterou padrões das asas. Os desenhos passaram de uma camuflagem protetora para colorações aposemáticas e chamativas. A estrutura física das asas da mariposa-lua também mudou de forma inédita para o grupo dos lepidópteros.
Leia Mais
Transformações estruturais e novos padrões
O estudo durou sete anos e envolveu a criação manual de mais de 700 mariposas desde a fase de ovo até a adulta. As substâncias foram administradas pouco antes e depois da pupação, etapa em que a larva passa pela metamorfose final e define os desenhos das asas.
Na mariposa-polifemo, as bordas amarelas das manchas oculares superiores engrossaram, escamas marrons clarearam e contornos pretos aumentaram. Na mariposa-lua, as manchas circulares ganharam contornos grossos e as caudas das asas posteriores cresceram mais largas.
Diferenças evolutivas e ação genética
A adição de heparina e sulfato de dextrana amplia a atividade de proteínas chamadas wnt. Em borboletas ninfalídeas, a heparina elimina as manchas oculares. Nas mariposas analisadas, o mesmo composto aumentou as marcas, indicando que essas estruturas evoluíram de maneira independente em cada grupo.
O contorno das asas em lepidópteros é moldado por morte celular programada nas bordas, processo regulado pela proteína cut. Outra proteína sinalizadora, a wingless (Wg), responde aos compostos testados e controla o tamanho de elementos internos, atuando também na regeneração de danos e na formação de caudas.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Publicada no periódico "Evolution & Development", a investigação sugere que a seleção natural cooptou a proteína wingless de forma independente para a evolução das caudas em mariposas e borboletas.
