Durante a Segunda Guerra Mundial, militares norte-americanos gravavam mensagens curtas em discos de 78 rotações para enviar às famílias. No conflito do Vietnã, soldados passaram a utilizar gravadores de fita de rolo de maior fidelidade para produzir cartas em áudio com relatos pessoais e bem-humorados.

Em março de 1969, o soldado de primeira classe Frank A. Kowalczyk gravou uma fita para enviar à mãe. O jovem de 21 anos, originário de Chicago, servia no posto de Long Binh, perto de Saigon, na metade de sua missão de quase 12 meses no Exército dos Estados Unidos. Ele comprou o aparelho de outro combatente para evitar a escrita à mão.

A rotina registrada em áudio

A gravação possui 43 minutos de duração e reúne cerca de 8.600 palavras. A mãe de Kowalczyk gravou uma resposta no verso da fita antes de reenviá-la ao filho. No monólogo, o militar detalhou acontecimentos da guerra e fez perguntas sobre parentes e amigos em Calumet City, no estado de Illinois.

Kowalczyk perguntou se o pai mantinha a rotina de turnos de 12 horas de trabalho, checou o desempenho escolar dos irmãos, pediu dados sobre declarações de impostos e comentou acontecimentos da vizinhança. Em outros momentos, mencionou episódios graves, como a morte de um soldado da sua companhia que sangrou em um abrigo sem receber resgate.

O soldado também criticou a rotina na base de Long Binh, um centro logístico e de comando onde superiores ocupavam a tropa com tarefas internas e perguntas cotidianas. Por essa razão, Kowalczyk afirmava pedir transferências frequentes para o campo de operações.

Volume postal no conflito

O envio de correspondências envolvia números expressivos durante o período de combate:

  • em 1968, o serviço postal de Cu Chi, voltado à 25ª Divisão de Infantaria, operava diariamente entre 7.000 e 12.000 libras de correspondência;

  • a unidade de Cu Chi despachava cerca de 1.000 libras de correspondências por dia para o Terminal de Correio Aéreo em Tan Son Nhut, destinadas aos Estados Unidos.

Preservação histórica em museu

O som de um helicóptero sobrevoando o local interrompe o relato em um ponto da gravação. A curadora Lynn Heidelbaugh recebeu a fita da família em 2011 para compor o acervo da exposição permanente "Mail Call", no Museu Postal Nacional do Smithsonian, em Washington.

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O material permaneceu guardado em um porão até ser doado ao museu. Frank Kowalczyk faleceu em 2024 e comentava com surpresa o interesse na gravação, afirmando que se tratava apenas de relatos sobre o clima e insetos locais.

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