Para evitar o desaparecimento total da espécie Chelonoidis hoodensis, guardas florestais reuniram os últimos 15 sobreviventes em um centro de reprodução na Ilha de Santa Cruz. A iniciativa emergencial deu início a um programa de recuperação que durou 55 anos.

O projeto devolveu mais de duas mil tartarugas à Ilha Espanhola e restabeleceu uma população selvagem autossustentável. A ação ganhou impulso em 1977 com a chegada de Diego, um terceiro macho que vivia há quase quatro décadas no Zoológico de San Diego após ter saído da ilha na década de 1930.

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Registros da San Diego Zoo Wildlife Alliance indicam que Diego gerou cerca de 800 filhotes durante o período no cativeiro. Estimativas da Galápagos Conservancy apontam que o réptil respondeu por cerca de 40% de todas as tartarugas soltas em Espanhola. Apesar da fama atribuída a ele, os registros comprovam que a recuperação resultou do esforço coletivo dos 15 animais fundadores.

Dados genéticos e dinâmica reprodutiva

Um estudo conduzido por Michel Milinkovitch e colegas, publicado em 2004 na revista "Proceedings of the Royal Society B", analisou a paternidade de 134 tartarugas amostradas em 1994. A equipe conseguiu identificar a origem genética de quase todos os indivíduos, exceto dois animais.

Os dados demonstraram um sucesso reprodutivo desigual entre os três machos. Diego, registrado como E15, e outro macho, catalogado como E5, geraram grandes parcelas da nova geração. Já o terceiro macho, chamado E3, contribuiu com uma quantidade muito menor de filhotes.

Uma pesquisa publicada no periódico "Evolutionary Applications" em 2013 calculou o tamanho populacional efetivo ao longo das fases do projeto: 5,5 em 1994, 7,6 em 2003 e 7,9 em 2007. Pelo fato de toda a espécie descender de apenas 15 indivíduos, a diversidade genética a longo prazo permanece como ponto de atenção para os biólogos.

Restauração ecológica e encerramento

A soltura dos animais exigiu a recuperação do ambiente natural. Autoridades de conservação erradicaram totalmente as cabras selvagens da Ilha Espanhola em 1978, permitindo a regeneração das plantas nativas e dos cactos do gênero Opuntia.

Com o habitat recuperado, as tartarugas voltaram a se reproduzir sozinhas no ambiente natural. Nenhuma das 134 tartarugas avaliadas em 1994 havia nascido na ilha. Em 2003, os animais nascidos no próprio território somavam 2,6% do total amostrado, proporção que avançou para quase 24% em 2007.

A Direção do Parque Nacional de Galápagos e a Galápagos Conservancy encerraram oficialmente o programa de reprodução em 15 de junho de 2020. As equipes aplicaram quarentena, tratamentos e microchips nos 15 fundadores antes de transportá-los para a região de Las Tunas.

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Equipados com transmissores de GPS e acompanhados por câmeras com sensores de movimento, os 15 pioneiros se reuniram a mais de 2.300 descendentes que vivem soltos na ilha.

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