COMPARAÇÃO

Amostras esquecidas de uma base da Guerra Fria revelam pistas sobre a Groenlândia sem gelo e ajudam a desvendar como eram os verões nesse passado distante

Sedimentos esquecidos mostram que a região já viveu verões bem mais quentes; descoberta inédita ajuda a entender o futuro do clima no planeta

Publicidade
Carregando...

Pesquisadores da Universidade de Buffalo analisaram sedimentos antigos extraídos na década de 1960 em Camp Century, na Groenlândia. O local abrigou uma base militar dos Estados Unidos durante a Guerra Fria, voltada a um plano secreto do exército norte-americano para ocultar mísseis nucleares sob o gelo.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

O estudo revelou que as temperaturas de verão na região eram 4,7 graus Celsius mais quentes que as atuais durante um período sem gelo ocorrido há cerca de 416 mil anos. Para a área ficar livre de gelo, o manto congelado da Groenlândia recuou mais de 97 quilômetros em relação à borda atual.

Leia Mais

Publicada na revista "Climate of the Past" (Clima do Passado), a descoberta coincide com projeções de aquecimento expressivo no Ártico. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas calcula que as temperaturas médias anuais na região podem subir entre 3,3 e 10 graus Celsius até o fim do século, dependendo do volume de emissões.

Análise molecular e recuo do gelo

Retirado a quase 1,6 quilômetro abaixo da camada de gelo durante o fracassado "Project Iceworm", o sedimento forneceu pistas sobre o clima antigo da base. A equipe identificou que a área estava exposta à luz solar pela última vez há aproximadamente 416 mil anos.

Cientistas reconstruíram as temperaturas com a análise de moléculas de gordura produzidas por bactérias e preservadas no sedimento. Como os tipos e as proporções dessas moléculas variam conforme a temperatura, os dados foram comparados com estruturas semelhantes encontradas em lagos modernos do Ártico.

O resultado representa a primeira estimativa quantitativa de temperaturas terrestres de verão em qualquer parte da Groenlândia durante essa fase quente antiga. O avanço posterior das geleiras erodiu a maior parte dos sedimentos daquela época em outras localidades.

Duração do calor e amostras esquecidas

A Groenlândia também registrou verões quentes há cerca de 5 mil a 10 mil anos, após a última era do gelo, mas Camp Century continuou congelado. Os pesquisadores apontam que as condições quentes de 416 mil anos atrás duraram mais tempo, potencialmente dezenas de milhares de anos, o que permitiu o derretimento prolongado da camada de gelo.

As amostras foram tema de um documentário premiado com o Emmy Award e têm histórico longo com a Universidade de Buffalo. Chester Langway levou o material à instituição em 1975, onde permaneceu até sua aposentadoria em meados dos anos 1990. Os recipientes ficaram esquecidos por mais de duas décadas na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, até a limpeza casual de um congelador em 2018.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A professora Elizabeth Thomas alerta que o aquecimento atual provocado pela humanidade é mais intenso que o período quente de 400 mil anos atrás. Projeções climáticas apontam que o calor recente pode persistir por centenas ou milhares de anos, fator determinante para a resposta do manto de gelo.

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay