Estudo do CNRS aponta aumento da atividade pesqueira na maioria das áreas marinhas protegidas analisadas ao redor do mundo
Nova pesquisa global avalia centenas de reservas marinhas e destaca a importância de regras eficazes para proteger os oceanos antes da COP 17
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Uma pesquisa do CNRS divulgada na revista "Science Advances" revelou que a atividade pesqueira não diminui e registra crescimento na maioria das áreas marinhas protegidas no mundo. O trabalho analisou 861 dessas reservas e apontou que a pesca segue ativa nesses perímetros, sendo a principal intervenção humana prejudicial à biodiversidade marinha.
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O planeta reúne 17.227 áreas marinhas protegidas, espaço correspondente a 9,82% dos oceanos. Desse total global, a França administra 589 perímetros, situados em sua maioria em territórios ultramarinos.
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Avanço da pesca industrial
O relatório evidenciou níveis de proteção extremamente baixos nas reservas marinhas globais, situação que viabiliza a expansão constante da pesca industrial. A atividade só encontra barreiras nas zonas de proteção integral, pontos específicos onde a pesca permanece estritamente proibida.
Joachim Claudet, pesquisador especializado em socioecologia marinha no CNRS e coautor da pesquisa, afirmou à agência "AFP" que a equipe não esperava constatar resultados tão marcantes. O cientista explicou que o impacto pesqueiro aumentou na maior parte das reservas ao comparar a situação com o período anterior à criação delas.
A expansão recente na quantidade de áreas protegidas acompanha a ambição internacional de resguardar 30% dos oceanos até 2030. Apesar desse objetivo, a maioria das reservas mantém normas frágeis que autorizam a continuidade da pesca em escala industrial.
Monitoramento das frotas
Cientistas avaliaram o impacto real das demarcações ao cruzar dados de monitoramento das embarcações, fornecidos pela organização Global Fishing Watch, com a cartografia das áreas protegidas. O levantamento reuniu registros operacionais gerados entre 2012 e 2024.
O estudo surgiu dias antes da abertura da cúpula de biodiversidade (COP17), agendada para ocorrer na Armênia entre 19 e 30 de outubro. Com base nos dados obtidos, Claudet questionou a validade de empregar apenas a porcentagem de área demarcada como critério de sucesso.
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O pesquisador observou que a simples taxa de cobertura oceânica fornece poucas informações reais sobre a contribuição efetiva dessas reservas na conservação da biodiversidade.