Inundações em 2025 mataram 4,2 mil pessoas, aponta novo estudo global
Pesquisa com participação da Unesp detalha desastres que custaram US$ 28 bi; estudo pode apoiar sistemas de alerta e prevenção de riscos
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Inundações ao redor do planeta causaram 4,2 mil mortes e um prejuízo de US$ 28 bilhões em 2025. Os dados são de um estudo internacional com participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e da NASA.
Publicado na revista "Nature Reviews Earth & Environment", o artigo analisou os principais episódios de enchentes em cada região do globo. A pesquisa detalhou a interação dos desastres com outros fenômenos meteorológicos e contextos que agravaram a situação.
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Para chegar aos resultados, a equipe combinou modelos computacionais que simulam o comportamento dos rios com dados do sistema de monitoramento da Nasa. Os cientistas analisaram o nível máximo atingido por cada rio em 2025 e compararam com um histórico de 22 anos, de 2004 a 2025.
As informações foram cruzadas com dados populacionais para estimar o número de pessoas expostas ao risco. Para mortes e danos econômicos, os pesquisadores utilizaram o banco de dados internacional de desastres naturais EM-DAT, vinculado à Universidade de Louvain, na Bélgica.
Um ano sem El Niño, mas com problemas
O artigo coloca 2025 entre os anos com menor exposição a inundações das últimas duas décadas. No entanto, o estudo aponta que as emissões de gases de efeito estufa continuaram elevadas e as temperaturas globais seguiram excepcionalmente altas no período.
Segundo Enner Alcântara, pesquisador da Unesp e um dos autores, o alívio foi pontual. A melhora esteve associada a uma combinação favorável de fatores naturais, e não a uma mudança estrutural na situação climática global.
A mudança é justificada pelas fases mais frias e menos intensas do El Niño e da Oscilação Decadal do Pacífico (ODP). Esses fenômenos, que influenciam a distribuição de chuvas no planeta, tenderam a gerar menos eventos extremos quando mais fracos.
Inundações severas em cada continente
Nas Américas, o estudo destaca a enchente que atingiu o Texas, nos Estados Unidos, em julho, deixando ao menos 135 mortos. O Brasil também entrou na lista devido às chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul em junho, com níveis superiores a 170 mm.
O estado gaúcho aparece como uma região de atenção especial. O artigo mostra que o solo ainda estava saturado pelo desastre de 2024 quando as novas chuvas chegaram, o que amplificou os impactos e criou um ciclo de risco.
O continente africano enfrentou um dos anos mais extremos desde 2004. Chuvas prolongadas na região do Lago Tanganica causaram mais de 100 mortes, enquanto um sistema meteorológico na África do Sul resultou em aproximadamente 80 mortes após mais de 300 mm de chuva em 48 horas.
Na Ásia, viviam 56% de toda a população mundial exposta a enchentes em 2025, o equivalente a 202 milhões de pessoas. O continente concentrou 60% das mortes registradas globalmente, um cenário associado a monções intensas e ao derretimento acelerado das geleiras do Himalaia.
A Europa registrou a maior proporção de população exposta a enchentes, com 9% dos habitantes em áreas de risco. Já a Oceania enfrentou uma das piores enchentes na costa de Nova Gales do Sul, na Austrália.
Mapas que indicam o potencial de enchentes, como os gerados no estudo, funcionam como um sistema de alerta, principalmente em locais sem monitoramento em campo. Segundo Alcântara, o número de mortes não depende apenas da quantidade de chuva, mas do tempo que as pessoas tiveram para se proteger.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.