Em Ars, na região francesa de Creuse, Chloé Dequeker construiu quase sozinha uma residência semi-enterrada de 80 m² gastando apenas 3.000 euros em materiais. A estrutura mantém a temperatura interna em patamares iguais ou superiores a 18 °C ao longo de todo o ano, apesar de contar com janelas de vidro simples.

O imóvel começou como um espaço planejado para receber visitantes do viveiro de plantas "Les Jardins de Perla Das". Finalizado em 2003, o local tornou-se a moradia definitiva da proprietária, que trabalha como viveirista e ceramista.

Materiais reaproveitados e divisão dos custos

O projeto exibe uma planta de sete lados, fixada parcialmente em uma encosta de granito. A economia expressiva resultou do reaproveitamento de troncos derrubados por tempestades severas que atingiram o território francês no término de 1999.

Em entrevista concedida à emissora "France 3 Régions", a construtora explicou a origem do insumo: "havia madeira em abundância, quantidades de madeira que caíram da tempestade de 2000. Então é uma casa que nasceu da tempestade de 2000, 99-2000".

O montante financeiro desembolsado cobriu apenas itens essenciais que não puderam ser obtidos por doação:

  • cerca de 1.500 euros destinados à compra dos pisos cerâmicos;

  • aproximadamente 1.500 euros aplicados na membrana de impermeabilização do teto.

Dequeker realizou as etapas de carpintaria, encanamento e acabamentos com ferramentas manuais. A obra durou menos de um ano e contou com o auxílio ocasional de voluntários estrangeiros.

Conforto térmico e técnicas aplicadas

A terra ao redor das paredes atua como estabilizador de clima. Conforme detalhou a moradora: "quis fazer uma casa semi-enterrada porque isso permite manter o calor, fazer uma casa bioclimática". Esse posicionamento retém o calor e reduz o impacto das variações meteorológicas externas.

O fechamento das paredes empregou alvenaria com toras curtas de madeira. A técnica consistiu em assentar os pedaços de madeira com argamassa apenas nas extremidades, preenchendo o espaço interno intermediário com serragem para formar a camada isolante.

O teto verde conta com apoio de um pilar central feito de carvalho e catorze vigas estruturais. O aquecimento interno recebe suporte de um fogão a lenha abastecido com aparas obtidas gratuitamente em uma marcenaria da vizinhança.

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A execução enfrentou entraves legais reportados pelo periódico "Connexion France". A prefeitura contestou a construção, exigindo quase dois anos de procedimentos até a emissão da aprovação formal. O custo original de 3.000 euros não reflete a realidade de 2026, cenário que demanda despesas obrigatórias com vistorias prévias de terreno, sistemas de drenagem, ligações técnicas de infraestrutura, taxas de seguro e cumprimento rigoroso das legislações urbanísticas.

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