Fotógrafo renomado planta mais de 2 milhões de árvores em fazenda da família e, 28 anos depois, vê a floresta ganhar novos habitantes que revelam o alcance da recuperação
O fotógrafo Sebastião Salgado e a esposa Lélia Deluiz Wanick Salgado, transformaram a terra árida em Minas Gerais ao plantar dois milhões de mudas nativas; projeto histórico recuperou centenas de espécies animais
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Dados do site Novsus apontam que cerca de 42 milhões de árvores são derrubadas diariamente em todo o mundo, somando aproximadamente 15 bilhões por ano. Em oposição a esse cenário, uma família decidiu repovoar a própria fazenda com 2 milhões de árvores. Após 28 anos, o terreno deu lugar a uma floresta exuberante.
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A iniciativa começou em 1998, no estado de Minas Gerais. Lélia Deluiz Wanick Salgado e o marido Sebastião Salgado constataram a degradação ambiental da fazenda de gado da família, totalmente devastada e com árvores que podiam ser contadas nos dedos de uma mão. Para mudar essa realidade, o casal fundou o Instituto Terra e assumiu a meta de plantar 2 milhões de árvores nos 600 hectares de terra árida.
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A página da organização na internet define a instituição como uma "referência mundial em restauração ecossistêmica, educação ambiental e desenvolvimento rural sustentável".
Início do plantio e expansão
O trabalho começou no verão de 1999, quando o casal convocou moradores da região, estudantes locais, amigos e parceiros. Apesar da falta de técnica do grupo voluntário, o mutirão plantou 10 mil árvores antes do início da estação chuvosa.
A propriedade mudou de aspecto logo no ano seguinte, atraindo trabalhadores para o local. Em 2001, a fazenda inaugurou o viveiro de mudas. Um ano depois, surgiu o Centro de Educação para Restauração Ambiental, definido como "uma escola de formação em técnicas ecológicas destinadas aos produtores rurais, às comunidades escolares e aos técnicos ambientais".
Recuperação da biodiversidade
Quase 30 anos depois, a terra outrora árida e destruída transformou-se em uma floresta tropical fértil. A área tornou-se um modelo internacional de reflorestamento e restabeleceu o equilíbrio ecológico nativo:
mais de 235 espécies animais e vegetais;
172 espécies de aves;
33 espécies de mamíferos;
15 espécies de anfíbios.
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Com a morte de Sebastião em 2025, Lélia, os filhos e os colaboradores mantêm as atividades na propriedade, onde continuam plantando sementes e cuidando da natureza recuperada.