Pacientes franceses recorrem a viagens internacionais para realizar procedimentos odontológicos complexos por valores até a metade do cobrado na França. A procura ocorre principalmente para a colocação de múltiplos implantes dentários, intervenção que eleva expressivamente os custos no território francês.
A empresa Eurodentaire reuniu interessados em Angoulême diante da escassez de cirurgiões-dentistas na região de Charente. De acordo com o fundador Nicolas Pineau, tratamentos pesados na Hungria custam cerca de 50% menos que na França, enquanto a Romênia é 20% mais barata que o mercado húngaro. Procedimentos conservadores e desvitalizações recebem reembolso adequado na França, mas despesas disparam a partir de dois ou três implantes.
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Opções fora da União Europeia
Determinados pacientes preferem destinos fora do bloco comunitário europeu. Romain Gicqueau organizou viagem para a Turquia após calcular possíveis gastos de 30 mil euros na França. Com suporte completo da clínica incluindo passagens, traslados e hotel quatro estrelas, ele realizou a extração de 18 dentes, enxerto ósseo e colocação de seis implantes por 10.400 euros durante duas estadias.
Outro relato envolve Élodie Gandaubert, que contatou uma clínica na Sérvia após acompanhar publicações em uma rede social. Ela optou pela remoção de todos os dentes, inclusive os inferiores que estavam saudáveis, e recebeu 18 implantes com prótese provisória pelo valor de 19 mil euros.
Riscos clínicos e falta de acompanhamento
A continuidade dos cuidados pós-operatórios preocupa especialistas locais. O presidente do sindicato dos cirurgiões-dentistas de Charente, Édouard Dusseau, destaca que profissionais franceses recusam intervir em procedimentos feitos fora do país para não assumirem metade da responsabilidade clínica, exceto em situações de emergência.
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Dusseau alerta sobre detalhes essenciais: garantias de dez anos não cobrem infecções ósseas ou na gengiva, ocorrências mais frequentes do que defeitos nas peças. O cirurgião ressalta também que radiografias panorâmicas são insuficientes para orçamentos exatos, exigindo tomografias computadorizadas para determinar se o paciente realmente necessita de enxertos ósseos.
