INFECÇÕES

Meningite: vacina recebida na infância é suficiente para a adolescência?

Cobertura da vacina ACWY ficou abaixo da meta nacional em 2025; especialistas explicam quando são necessários reforços e quais vacinas protegem contra a doença

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A cobertura da vacina meningocócica ACWY no Brasil chegou a 67,75% em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Apesar do avanço em relação a 2022, quando o índice era de 45,8%, a imunização na adolescência ainda exige atenção. As doses recebidas nos primeiros anos de vida não substituem a vacinação recomendada para essa fase.

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Pelo Calendário Nacional de Vacinação de 2026, as crianças recebem a vacina meningocócica C aos 3 e 5 meses e um reforço com a meningocócica ACWY aos 12 meses. Para adolescentes de 11 a 14 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) também oferece uma dose da ACWY, que protege contra quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis: A, C, W e Y.

O infectologista Guenael Freire, do São Marcos Saúde e Medicina Diagnóstica, da Dasa, explica por que a adolescência merece atenção. “Adolescentes podem carregar o meningococo na garganta sem apresentar sintomas e transmitir a bactéria a outras pessoas. A doença pode evoluir rapidamente, mesmo em pessoas saudáveis, e a proteção conferida pelas doses recebidas na infância pode diminuir ao longo do tempo. Por isso, a vacinação contra o meningococo também é recomendada na adolescência, mesmo para quem foi vacinado quando criança. A revisão da caderneta permite identificar as doses indicadas para essa fase”, afirma.

No Distrito Federal, a atualização da vacinação de crianças e adolescentes foi tema de uma campanha de multivacinação do Ministério da Saúde em agosto de 2026. A mobilização incluiu a meningocócica ACWY entre os imunizantes oferecidos, conforme a idade e o histórico vacinal, e orientou as famílias a conferirem as cadernetas de vacinação.

Vacinas diferentes, proteções distintas

A meningite pode ser causada por diferentes agentes, entre eles vírus, bactérias, fungos e parasitas. Mesmo entre as infecções provocadas pelo meningococo, uma das bactérias responsáveis pela doença, existem sorogrupos distintos. Por isso, as vacinas disponíveis não oferecem necessariamente a mesma proteção.

“Uma dúvida comum é achar que todas as vacinas contra meningite oferecem a mesma proteção. A meningocócica C protege contra um sorogrupo da bactéria, enquanto a ACWY contempla quatro. Já o meningococo B exige outra vacina. Uma pessoa pode estar com as doses em dia para determinado sorogrupo e ainda não ter recebido a proteção recomendada contra outros”, explica a infectologista Rosana Richtmann, do Laboratório Exame, marca da Dasa no Distrito Federal.

As vacinas meningocócicas não protegem contra todas as causas de meningite. Outras vacinas, como as pneumocócicas e a vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b (Hib), também ajudam a prevenir meningites bacterianas.





As recomendações variam conforme o calendário adotado e o histórico vacinal. O Ministério da Saúde oferece uma dose da ACWY dos 11 aos 14 anos. Já a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomenda, para quem foi vacinado na infância, um reforço aos 11 anos ou cinco anos após a última dose. Para adolescentes não vacinados anteriormente, o esquema depende da idade de início. A instituição também recomenda a vacinação contra o meningococo B na adolescência. 

Sinais de alerta exigem atendimento imediato

A doença meningocócica pode provocar meningite ou meningococcemia, uma infecção da corrente sanguínea. As duas manifestações também podem ocorrer ao mesmo tempo. Febre, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, vômitos, confusão mental e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele estão entre os sinais de alerta.

Diante da suspeita, é necessário procurar atendimento médico imediatamente. Não é preciso apresentar todos esses sinais para buscar assistência, e a ausência de manchas na pele não exclui a doença.

“Ter recebido todas as vacinas na infância não significa que o adolescente esteja com a proteção completa hoje. Quem não sabe quais doses recebeu ou deixou de tomar alguma vacina deve procurar orientação para avaliar o esquema adequado. Não é preciso recomeçar toda a vacinação por conta própria”, orienta Rosana.

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