O brasileiro é conhecido por ser comunicativo, mas existe um assunto que ainda é tratado a portas fechadas: a saúde intestinal. O constrangimento em falar sobre sintomas como diarreia crônica, gases, constipação severa ou alterações nas fezes faz com que milhares de pessoas convivam, por anos, com dor, recorrendo à automedicação.


Segundo dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), quase 90% dos brasileiros se automedicam, um hábito perigoso que, no caso das doenças gastrointestinais, dificulta a identificação dos sintomas e atrasa diagnósticos que podem salvar vidas.

O reflexo desse silêncio aparece nas estatísticas oncológicas. O câncer colorretal já é o segundo tipo de tumor mais incidente no Brasil, com estimativa de 54 mil novos casos anuais até 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).





Muitos desses casos poderiam ser prevenidos ou tratados precocemente com a busca por avaliação médica ao surgimento dos primeiros sintomas. "O paciente sente vergonha de relatar ao médico a consistência das fezes, se há sangramento ou se sofre com flatulência. Para evitar o constrangimento, ele vai à farmácia, compra um remédio para parar a diarreia e segue a vida. O problema é que, ao silenciar o sintoma, a doença continua progredindo silenciosamente", alerta Virgínia Almeida, médica gastroenterologista.



Impacto na qualidade de vida e no trabalho



Condições inflamatórias crônicas não diagnosticadas afetam profundamente a qualidade de vida. Pessoas com distúrbios intestinais não tratados frequentemente desenvolvem ansiedade, evitam compromissos sociais (por medo de não haver um banheiro por perto) e sofrem com redução acentuada de produtividade no trabalho.

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"Não é normal normalizar a dor. O intestino é considerado nosso 'segundo cérebro', e quando ele não vai bem, o corpo todo adoece. Vemos pacientes, no auge de suas vidas profissionais e pessoais, perdendo qualidade de vida porque sentem vergonha de procurar ajuda especializada. Precisamos normalizar a conversa sobre a saúde digestiva nas famílias, nas empresas e nos consultórios", reforça a gastroenterologista.



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