A aterosclerose é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo de placas formadas por gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias nas paredes das artérias. Embora seja mais frequente com o avanço da idade, um estudo realizado em agosto desse ano mostra que o processo pode começar muito antes do surgimento de sintomas ou de eventos cardiovasculares.
A pesquisa avaliou 16.808 pessoas entre 18 e 70 anos, todas sem histórico de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) ou obstrução arterial. O trabalho foi apresentado durante o Congresso Europeu de Cardiologia, em Munique, na Alemanha, e publicado simultaneamente no New England Journal of Medicine. Os resultados identificaram sinais de aterosclerose silenciosa entre adultos jovens. A presença de placas de gordura aumentou rapidamente conforme a idade avançava e, entre os homens, chegou a cerca de metade dos participantes aos 40 anos.
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares provocam cerca de 17,9 milhões de mortes por ano globalmente. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil a doença leva a quase 300 mil mortes anuais.
A doença pode evoluir sem sintomas
A formação das placas pode ocorrer de maneira silenciosa durante anos. Em alguns casos, a pessoa só descobre a condição depois de uma complicação, como infarto do miocárdio ou AVC. Segundo Wesley Medeiros, diretor médico do Hospital América, da Hapvida, essa é uma das características que tornam a aterosclerose uma condição que merece acompanhamento mesmo na ausência de sintomas.
“Uma das características da aterosclerose é justamente a possibilidade de evolução silenciosa. A pessoa pode apresentar alterações nas artérias durante anos sem sentir dor ou qualquer outro sintoma. Por isso, o acompanhamento médico e a avaliação dos fatores de risco são importantes mesmo quando não existe uma queixa específica”, explica Wesley.
A progressão da doença está relacionada a uma combinação de fatores. Idade e histórico familiar estão entre os aspectos que não podem ser modificados, enquanto colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes, tabagismo, sedentarismo, alimentação inadequada e excesso de peso podem ser acompanhados e tratados.
Prevenção começa antes dos primeiros sinais
A presença de fatores de risco não significa que uma pessoa necessariamente desenvolverá uma complicação cardiovascular, mas indica a necessidade de atenção à saúde. A avaliação médica permite identificar alterações e definir medidas de prevenção de acordo com as características de cada paciente.
O especialista ainda explica que o colesterol elevado, a pressão alta, o diabetes e o tabagismo, por exemplo, podem favorecer o desenvolvimento e a progressão da aterosclerose. “O controle desses fatores desde cedo ajuda a reduzir o risco cardiovascular ao longo da vida. Não é preciso esperar um sintoma aparecer para começar a cuidar das artérias”, afirma.
A adoção de hábitos saudáveis também faz parte desse cuidado. Praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação equilibrada, não fumar, controlar o peso e acompanhar os níveis de colesterol, glicemia e pressão arterial são medidas que ajudam a reduzir os fatores associados à doença.
Risco de infarto e AVC
A preocupação com a aterosclerose está relacionada principalmente às suas possíveis complicações. Conforme as placas aumentam, elas podem reduzir o espaço para a passagem do sangue. Em determinadas situações, uma placa pode romper e favorecer a formação de um coágulo, interrompendo o fluxo sanguíneo. Quando esse processo ocorre nas artérias que irrigam o coração, pode causar um infarto. Já quando compromete a circulação cerebral, pode provocar um AVC.
Wesley Medeiros alerta que doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, podem estar relacionadas a alterações que se acumulam silenciosamente ao longo dos anos. “Por isso, identificar e controlar os fatores de risco é uma forma de agir antes que uma complicação aconteça.”
Tratamento depende do risco cardiovascular
O tratamento varia de acordo com o quadro e os fatores de risco de cada paciente. Pode envolver mudanças nos hábitos de vida e medicamentos para controlar colesterol, pressão arterial e outras condições associadas. Em casos de obstruções importantes, procedimentos como angioplastia, método usado para desobstruir artérias do coração que estão entupidas ou estreitadas por placas de gordura, ou cirurgia, podem ser indicados.
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“O tratamento é individualizado e depende do risco cardiovascular e da extensão da doença. O acompanhamento médico é importante para definir a melhor conduta para cada paciente”, explica Wesley.
