Uso de hormônio do crescimento exige reflexão sobre expectativas estéticas
Endocrinologista alerta que crianças com estatura normal não devem ser tratadas como doentes por serem mais baixas que outras
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O desejo de que os filhos sejam mais altos pode levar muitas famílias a considerar o uso do hormônio do crescimento, conhecido como GH, mesmo quando a criança apresenta estatura dentro da normalidade. A endocrinologista Lorena Lima Amato alerta que, nesses casos, é necessário diferenciar uma condição médica de uma expectativa estética ou de uma insegurança social.
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“Muitos pais sonham em ver os filhos crescerem mais, especialmente quando percebem que eles são mais baixos do que outras crianças. Mas precisamos avaliar se estamos diante de um problema hormonal ou de uma insegurança social produzida pela expectativa de que toda criança deveria atingir determinado padrão de altura”, afirma Lorena.
Segundo a endocrinologista, não há comprovação científica suficiente de eficácia e segurança para o uso de GH em crianças com estatura normal. Mesmo quando ocorre algum aumento na velocidade de crescimento, o ganho tende a ser pequeno e pode não apresentar relevância funcional ou social.
A indicação do hormônio deve ser individualizada e restrita a situações clínicas específicas, sempre com acompanhamento médico especializado.“Uma criança com estatura normal não está doente por ser um pouco mais baixa do que outras. Antes de medicalizar, é importante compreender a causa da preocupação e avaliar os possíveis benefícios, riscos e impactos do tratamento”, ressalta Lorena.
Entre os efeitos adversos associados ao uso do GH estão edema periférico, dor de cabeça, dores musculares e articulares, intolerância à glicose, epifisiólise e escoliose. O tratamento também exige uma rotina prolongada de exames, consultas e acompanhamento contínuo.
Além dos riscos clínicos, o custo financeiro pode ser elevado. As estimativas apresentadas pela especialista indicam valores entre US$ 20 mil e US$ 55 mil por centímetro adicional. Em casos de baixa estatura idiopática, uma estimativa norte-americana aponta um custo de aproximadamente US$ 99.959 por criança, para um ganho médio de 4,8 centímetros ao longo de cinco anos.
Esses valores não incluem os gastos com exames laboratoriais, consultas médicas e demais procedimentos necessários durante o acompanhamento do tratamento.“É preciso discutir se alguns centímetros a mais justificam os custos emocionais, clínicos e financeiros envolvidos. Investimentos em saúde, autoestima, educação, esportes e cultura podem ter um impacto muito mais amplo e positivo na vida da criança do que a busca exclusiva por um número maior na régua”, afirma a medica.
A recomendação é que pais e responsáveis procurem avaliação com um endocrinologista, especialmente quando houver preocupação com o ritmo de crescimento ou sinais de uma possível condição clínica. O uso do GH deve ocorrer após avaliação individualizada do paciente e somente quando houver indicação médica.
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?Lorena Lima Amato? é endocrinologista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com título da Sociedade Brasileira de Endocrinologia (SBEM), endocrinopediatra pela Sociedade Brasileira de Pediatria e doutora?pela USP.