A terapia hormonal pode potencializar um dos principais medicamentos para perda de peso, a tirzepatida (Mounjaro), ajudando mulheres na pós-menopausa a emagrecerem significativamente mais. Essa é a conclusão de um estudo publicado recentemente no The Lancet Obstetrics, Gynaecology, & Women's Health.
“Em média, essas mulheres perderam 35% mais peso em comparação com aquelas que usaram apenas tirzepatida. Os resultados apontam para novas possibilidades no tratamento da obesidade e de condições de saúde relacionadas em mulheres após a menopausa, uma fase em que a saúde metabólica deve ser prioridade, já que a falta de hormônios e o aumento de peso podem aumentar consideravelmente o risco de problemas cardíacos, câncer e morte”, diz a ginecologista Patricia Magier.
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A médica explica que a menopausa é frequentemente associada ao aumento de peso e a um maior risco de desenvolver sobrepeso e obesidade. “Essas alterações podem aumentar a probabilidade de problemas de saúde graves, incluindo doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. Além do ganho de peso, a queda dos níveis de estrogênio durante a menopausa pode desencadear outras alterações no organismo que podem aumentar ainda mais o risco cardiovascular. Este estudo fornece informações importantes para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes e personalizadas para o gerenciamento do risco cardiometabólico em mulheres na pós-menopausa", completa a ginecologista.
Patricia Magier destaca que a terapia hormonal continua sendo a opção de primeira linha mais eficaz para aliviar os sintomas comuns da menopausa, como ondas de calor e suores noturnos, que afetam até 75% das mulheres na pós-menopausa. “No entanto, a possibilidade de potencializar a ação de medicamentos para perda de peso ainda não era bem compreendido."
Para suprir essa lacuna, os pesquisadores analisaram dados de 120 adultos com sobrepeso ou obesidade que foram tratados com tirzepatida por pelo menos 12 meses. Eles compararam os resultados entre aqueles que também usaram terapia hormonal e aqueles que não usaram, garantindo que ambos os grupos tivessem características basais semelhantes.
“A análise mostrou que as mulheres que receberam ambos os tratamentos perderam significativamente mais peso. Neste estudo observacional, as mulheres que usaram terapia hormonal na menopausa perderam em média 35% mais peso do que as mulheres que tomaram apenas tirzepatida. Como este não foi um ensaio randomizado, não podemos afirmar que a terapia hormonal causou perda de peso adicional, mas claramente há uma tendência que deve ser considerada", diz Patricia.
"Mesmo que na prática seja possível que as mulheres que faziam terapia hormonal já adotem comportamentos mais saudáveis, ou que o alívio dos sintomas da menopausa tenha melhorado o sono e a qualidade de vida, facilitando a manutenção de mudanças na dieta e na atividade física, esse é um efeito interessante que deve ser mais estudado e considerado na prática clínica."
Embora sejam necessários mais estudos controlados, as descobertas são clinicamente significativas, segundo Patricia. “A magnitude da diferença observada justifica uma investigação mais aprofundada sobre como a terapia hormonal e os medicamentos à base de GLP-1 podem funcionar em conjunto. Há a hipótese de que ocorra uma sinergia potencial, com o estrogênio parecendo potencializar os efeitos supressores do apetite do GLP-1", afirma.
Pesquisas futuras se concentrarão em confirmar esses resultados em ensaios clínicos randomizados e em explorar se os benefícios vão além da perda de peso. "Mas realmente na prática clínica, observamos que a mulher que faz reposição hormonal se sente mais disposta e isso influencia na mudança de hábitos que culmina em maior perda de peso. De qualquer maneira, o ideal é consultar um ginecologista para entender se há a indicação para a terapia hormonal combinada ao uso da tirzepatida”, aponta Patricia Magier.
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