A fotógrafa Alinne Barbosa, de 38 anos, estranhou quando sua filha Eduarda, 9, começou a rir sem parar em Contagem (MG). A "crise de riso" durou mais de uma hora, até que Alinne notou que as pupilas da menina estavam dilatadas. No hospital, veio o diagnóstico: Eduarda teve uma crise gelástica, um tipo raro de crise epiléptica que causa risos involuntários.
O episódio começou por volta das 21h, enquanto a menina ajudava a mãe na cozinha. "Ela olhou para mim e começou a gargalhar, sem motivo aparente", relatou Alinne à CRESCER. No início, a situação era descontraída, mas após uma hora, a mãe se preocupou ao perceber que a filha não conseguia parar e tinha um "olhar distante".
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Alinne, que é estudante de técnico em enfermagem, verificou os sinais vitais de Eduarda e notou que, apesar da frequência cardíaca e respiratória estarem normais, as pupilas estavam dilatadas. "Foi, então, que realmente percebi que ela poderia estar sofrendo uma crise epiléptica", contou.
No hospital, uma tomografia de crânio não apresentou alterações, mas a pediatra e um neurologista concluíram se tratar de uma crise epiléptica gelástica isolada. Os médicos sugeriram que o gatilho poderia ter sido ansiedade ou estresse. A crise de riso durou das 21h até 1h05 da madrugada, quando a menina conseguiu dormir.
Para alertar outras famílias, Alinne publicou um vídeo no Instagram que mostra o momento da crise. A gravação viralizou e já soma mais de 9 milhões de visualizações. "Acredito que compartilhar a nossa experiência pode ajudar outros pais a reconhecerem sinais que talvez passem despercebidos", afirmou.
O que é uma crise gelástica?
A crise gelástica é um tipo raro de crise epiléptica que provoca um ataque de riso ou um sorriso prolongado, sem motivo emocional e fora do controle da pessoa. "É o cérebro disparando um comportamento de riso por causa de uma descarga elétrica anormal", explica Letícia Pereira de Brito Sampaio, neurologista infantil do Hospital Vila Nova Star.
A duração é geralmente inferior a um minuto, mas podem ocorrer várias crises em sequência, como no caso de Eduarda. A condição é considerada rara e muitas vezes subdiagnosticada.
Quais são os principais sinais?
Riso sonoro ou sorriso prolongado sem motivo aparente.
A expressão pode parecer mecânica, sem emoção.
Movimentos ritmados do corpo, como ombros e tronco.
A pessoa costuma permanecer consciente durante o episódio.
O riso pode ser seguido por outros sinais, como olhar parado ou gestos automáticos.
A causa mais associada em crianças é o hamartoma hipotalâmico, uma pequena malformação não maligna no cérebro. Lesões em outras áreas, como os lobos frontal e temporal, também podem provocar as crises.
Caso a criança apresente episódios repetidos de riso sem motivo, é fundamental procurar um neurologista. O diagnóstico pode envolver um exame de vídeo-EEG, que grava o comportamento e a atividade cerebral simultaneamente.
O tratamento inicial é feito com medicação antiepiléptica, embora esse tipo de epilepsia seja frequentemente resistente a remédios. Quando uma lesão é identificada, a cirurgia para removê-la costuma ser a opção mais eficaz.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.