COMPLICAÇÕES DA DOENÇA

Mesmo com tratamento padrão, paciente de asma fica 22 dias entubada

A médica que atendeu a paciente com asma disse que nunca tinha visto alguém sobreviver a uma crise como a dela

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Tânia Rios, de 49 anos, foi diagnosticada com asma desde bebê e sempre teve que conviver com as limitações da doença: sentia falta de ar para subir as escadas da própria casa, não conseguia fazer esforço físico e acordava por volta de cinco vezes por noite em crise. Nesses momentos,ela fazia uso das bombinhas de resgate, mas nem sempre elas eram capazes de controlar as crises.

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Em 2019, Tânia teve uma crise tão forte que ficou 30 dias na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), sendo que 22 dias ela estava em coma e entubada e ainda teve duas paradas cardiorrespiratórias. A médica que a atendeu disse que nunca tinha visto alguém sobreviver a uma crise como a dela. “Ela me disse: ‘marca essa data, porque hoje você nasceu de novo’”, lembra Tânia.

Mesmo após essa crise, ela continuou com o uso das bombinhas. Mas, em 2022, sua saúde deu um novo alerta. Ela contraiu Covid-19, desmaiou na rua e, quando a ambulância chegou para socorrê-la, ela foi levada direto para o centro cirúrgico, onde foi submetida a uma cirurgia no tórax, que envolveu colocar um dreno no pulmão.

Com esse alerta, Tânia procurou o pneumologista José Roberto Megda, que também é presidente da Associação Brasileira de Asmáticos(ABRA). Devido às suas crises recorrentes, mesmo com altas doses do tratamento inalatório, ele indicou o uso de umimunobiológico devido ao diagnóstico de asma grave.

Tânia percebeu o quanto o tratamento estava mudando sua vida quando conseguiu, pela primeira vez, dormir uma noite inteira e fazer uma hora de esteira na academia, atividades que, durante mais de 40 anos de sua vida, eram desafiadoras.

“Hoje faço o que qualquer outra pessoa faz.Eu estou vivendo o meu melhor momento, física  e psicológica. Sei que não tem cura para a asma, mas o tratamento foi capaz de transformar minha vida”, declara.

Informações sobre asma

A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns. Seus principais sintomas são tosse, dificuldade para respirar e chiado no peito. Embora 23% dos brasileiros tenham apresentado sintomas de asma no último ano, apenas 12% receberam um diagnóstico clínico.

Cerca de 90% das pessoas que convivem com a doença já foram internadas ao menos uma vez devido a crises. Dessas, 50% necessitaram de UTI e 38% precisaram de ventilação mecânica invasiva.

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Aproximadamente 3% a 10% dos casos são classificados como graves. No Brasil, a asma mata por volta de sete pessoas por dia. Tratamentos com corticoides, broncodilatadores e imunobiológicos estão disponíveis  na Saúde Suplementar (ANS) e,recentemente, o Ministério da Saúde atualizou o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para asma, incluindo novas terapias avançadas. No entanto, a disponibilização dos tratamentos já está com mais de 8 meses de atraso.

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