SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O fisiculturista Gabriel Ganley, 22, morreu devido a uma cardiomiopatia hipertrófica, indica a declaração de óbito. O jovem teve morte súbita e foi encontrado no sábado (23/5) por um amigo em seu apartamento, em São Paulo.
A cardiomiopatia hipertrófica é o aumento da espessura do músculo do coração, explica Jorge Zarur, cardiologista e diretor de comunicação da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).
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Quem tem cardiomiopatia hipertrófica tem maior chance de sofrer morte súbita, embora a condição se apresente em diversos graus, com menor ou maior risco. O paciente considerado de alto risco é aquele que também desenvolve arritmia.
Isso pode ser potencializado pelo consumo de anabolizantes, utilizados para aumentar os músculos do corpo. O coração também é um músculo, observa o cardiologista, e pode crescer de tamanho e ter uma sobrecarga.
"Isso não acontece 100% das vezes, mas são condições que aumentam o risco de sobrecarga e de aumento da espessura do coração, levando a uma miocardiopatia hipertrófica num paciente que não tinha isso", explica.
No interior do apartamento de Ganley foram encontrados diversos medicamentos, possivelmente anabolizantes, segundo informações do boletim de ocorrência.
O cardiologista afirma que os anabolizantes devem ser evitados. "Não existe nenhum tipo de acompanhamento médico que ofereça segurança para usuários de anabolizantes para fins estéticos."
O excesso de atividade física também pode ser prejudicial. Por isso, atletas de alto rendimento devem ficar atentos e monitorar a saúde, com acompanhamento regular de cardiologista para avaliar se há alguma disfunção, orienta o médico.
Quando aparecem, os principais sintomas da cardiomiopatia são cansaço e fadiga, diz Zarur, mas também é possível que o paciente seja assintomático. "E muitas vezes a manifestação da doença, infelizmente, pode ser a morte súbita."
Outros sinais de alerta são falta de ar, dor no peito, palpitação e desmaio por esforço, afirma Raffael Fraga, cardiologista e especialista em medicina esportiva da Dasa. Segundo ele, a cardiomiopatia hipertrófica é a maior causa de morte súbita em atletas.
Newsletter Cuide-se Ciência, hábitos e prevenção numa newsletter para a sua saúde e bem-estar *** A boa notícia é que há exames para detectar a condição. O principal é o ecocardiograma com strain.
"Com ele conseguimos detectar precocemente se o paciente está evoluindo ou se tem uma chance maior de desenvolver miocardiopatia hipertrófica ou uma disfunção miocárdica pelo uso de anabolizantes", diz Zarur.
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O médico afirma também que existe tratamento. Os cuidados dependem da patologia de base do paciente, segundo ele, e podem incluir interrupção do uso de anabolizantes e controle de hipertensão.
