Cansaço frequente, desconforto abdominal, enjoo e alterações digestivas leves raramente são associados a doenças hepáticas pela maioria da população. No entanto, especialistas alertam que hepatites virais e outras doenças do fígado podem evoluir silenciosamente, sendo identificadas apenas em fases mais avançadas, quando já há comprometimento do órgão.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas vivem com hepatites virais crônicas no mundo. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam milhares de novos casos diagnosticados anualmente, além de um volume significativo de pessoas que convivem com a doença sem saber.
Além das hepatites virais, condições como esteatose hepática (gordura no fígado), cirrose, hepatites autoimunes e doenças metabólicas relacionadas ao fígado também têm crescido nos últimos anos, impulsionadas principalmente pelo aumento da obesidade, diabetes, sedentarismo e consumo excessivo de álcool.
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“No fígado saudável, as funções metabólicas e de remodelação precisam de certo grau de inflamação local. Ocorre ativação imune controlada, permanecendo alerta a agentes infecciosos, tóxicos e células malignas. Quando se perde a regulação imunológica, o processo inflamatório se exacerba e ocorre a instalação do dano”, explica o médico patologista.
Segundo o especialista, os sintomas característicos das doenças hepáticas incluem icterícia, fadiga, prurido, dor no quadrante superior direito, distensão abdominal e hemorragia digestiva. Porém, muitos pacientes diagnosticados com hepatopatias não apresentam sintomas nas fases iniciais da doença.
Os exames laboratoriais têm papel essencial tanto na prevenção quanto no monitoramento dessas doenças. Entre os principais testes utilizados estão dosagens de enzimas hepáticas, bilirrubinas, marcadores inflamatórios e sorologias para hepatites virais, albumina e testes de coagulação, além de exames complementares voltados à avaliação metabólica e imunológica.
Segundo o médico, a realização dos exames deve levar em conta o contexto clínico epidemiológico de cada paciente. “As indicações para testes hepáticos incluem: investigação de pacientes com suspeita de doença hepática, pacientes com fatores de risco de desenvolver patologias do fígado, antes e após uso de medicações hepatotóxicas, monitoramento de malignidades e outras patologias hepáticas”, afirma.
Especialistas também reforçam a importância da vacinação contra hepatite B, da prevenção às hepatites virais e da adoção de hábitos saudáveis para reduzir os riscos de comprometimento hepático ao longo da vida.
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A recomendação é que pessoas com fatores de risco, como obesidade, diabetes, histórico familiar, consumo frequente de álcool ou alterações metabólicas, mantenham acompanhamento médico regular e realizem exames de acordo com protocolos estabelecidos.
