Maio Vermelho: os desafios para prevenção e tratamento das hepatites
A campanha reforça a importância da vacinação, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento para conter o avanço das hepatites virais no país
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As hepatites virais seguem como problema de saúde pública no Brasil, muitas vezes silencioso e de evolução lenta. Durante o Maio Vermelho, campanha de conscientização voltada à prevenção e combate dessas doenças, especialistas alertam a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao diagnóstico e ao tratamento adequado. Segundo o Ministério da Saúde, milhares de novos casos são registrados anualmente, muitos deles descobertos apenas em fases mais avançadas.
Apesar da gravidade, a hepatite frequentemente não apresenta sintomas nas fases iniciais, o que contribui para o diagnóstico tardio. Quando surgem, os sinais podem incluir cansaço, febre, mal-estar, dor abdominal, náuseas, pele e olhos amarelados (icterícia), urina escura e fezes claras. Por serem sintomas comuns a outras condições, muitas pessoas não buscam avaliação médica imediata.
Embora nem todo caso indique uma forma grave da doença, especialistas reforçam que a investigação é fundamental, especialmente diante de sintomas persistentes ou em situações de risco. “A hepatite pode evoluir de forma silenciosa por anos. O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações como cirrose e câncer de fígado”, explica o infectologista Igor Marinho da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
As hepatites podem ter diferentes causas, mas as infecções virais dos tipos A, B, C, D e E concentram os casos mais conhecidos da doença. A transmissão varia conforme o tipo, enquanto a hepatite A está geralmente associada ao consumo de água ou alimentos contaminados, as hepatites B e C são transmitidas principalmente pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de objetos perfurocortantes.
A prevenção é uma das principais aliadas no combate à doença. A vacinação é eficaz contra as hepatites A e B. Além disso, medidas como uso de preservativos, não compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas ou materiais de manicure, e cuidados com a higiene alimentar são fundamentais para reduzir o risco de infecção.
O diagnóstico pode ser feito por meio de testes rápidos e exames laboratoriais, disponíveis na rede pública de saúde. A testagem é recomendada especialmente para pessoas que nunca foram testadas, pertencem a grupos de risco ou tiveram alguma situação de exposição.
Em relação ao tratamento, os avanços médicos têm ampliado significativamente as chances de controle e cura, especialmente nos casos de hepatite C, que hoje pode ser tratada com medicamentos antivirais de alta eficácia. Já a hepatite B, embora não tenha cura definitiva, pode ser controlada com acompanhamento e terapia adequada, reduzindo o risco de complicações.
“A informação é a principal ferramenta para o enfrentamento das hepatites virais. Com prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento, é possível reduzir de forma significativa o impacto dessas doenças”, reforça Marinho.
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Diante desse cenário, a recomendação é manter a vacinação em dia, adotar medidas preventivas e realizar testagem regularmente são medidas fundamentais para proteger a saúde e evitar a evolução silenciosa da hepatite.