A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação terapêutica para o medicamento biológico mepolizumabe. Agora, o produto poderá ser usado em adultos como tratamento de manutenção adicional para a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) não controlada.
No Brasil, o medicamento já possui aprovação regulatória para outras indicações, como asma eosinofílica grave, granulomatose eosinofílica com poliangiite (GEPA), síndrome hipereosinofílica e rinossinusite crônica com pólipos nasais (RSCcPN).
A aprovação para o novo uso considera o tratamento complementar de manutenção em pacientes adultos com DPOC não controlada, caracterizada por níveis elevados de eosinófilos no sangue. Essas células especializadas do sistema imunológico atuam contra microrganismos e no combate a infecções no corpo.
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A indicação é voltada a pacientes que, mesmo com o uso de terapia inalatória otimizada, continuam sem controle adequado da doença. Essa abordagem inclui corticosteroide inalatório (ICS), broncodilatador beta-agonista de longa duração (LABA) e antagonista muscarínico de longa duração (LAMA), combinação conhecida como tripla terapia.
A decisão foi baseada nos dados do estudo de fase III MATINEE, que avaliou a eficácia e a segurança do mepolizumabe em uma população ampla de pacientes com DPOC e evidência de inflamação tipo 2, identificada pela contagem elevada de eosinófilos.
No estudo, o medicamento demonstrou redução estatisticamente significativa e clinicamente relevante na taxa de exacerbações moderadas ou graves, episódios também conhecidos como crises. Além disso, foi observada redução na taxa de exacerbações que resultaram em atendimentos de emergência ou hospitalizações, eventos associados à progressão da doença, à piora da qualidade de vida e ao aumento do risco de mortalidade.
DPOC é subdiagnosticada
A doença pulmonar obstrutiva crônica é uma condição inflamatória pulmonar, progressiva e heterogênea, que inclui quadros como bronquite crônica e enfisema. Estima-se que mais de 390 milhões de pessoas vivam com a doença no mundo, considerada uma das principais causas de morbidade e mortalidade global.
No Brasil, a DPOC afeta aproximadamente 15 milhões de brasileiros e é a quinta causa de morte no país. A doença também representa um importante desafio de saúde pública, já que cerca de 70% das pessoas com a condição não têm diagnóstico, o que pode atrasar o início do tratamento e aumentar o risco de complicações.
Caracterizada por sintomas respiratórios persistentes, como falta de ar, tosse e produção de muco, a DPOC decorre de alterações nas vias aéreas que levam à limitação progressiva do fluxo de ar. Embora não tenha cura, a doença pode ser tratada e controlada.
O manejo adequado, que inclui farmacoterapia, reabilitação pulmonar e acompanhamento médico, pode melhorar a qualidade de vida, retardar a progressão da doença e reduzir o risco de mortalidade.
Apesar dos avanços no tratamento, muitos pacientes continuam apresentando sintomas persistentes e crises, mesmo com o uso de terapias inalatórias combinadas. Essas exacerbações, também conhecidas como “ataques pulmonares”, representam episódios agudos de piora dos sintomas e podem levar a danos irreversíveis nos pulmões, além de aumentar o risco de hospitalização e morte.
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“A DPOC é uma doença complexa e heterogênea, e uma parcela relevante dos pacientes apresenta inflamação tipo 2, associada a maior risco de exacerbações graves. Com mepolizumabe, biológico de administração mensal, ampliamos a possibilidade de uma abordagem mais direcionada e personalizada, baseada em biomarcadores, com potencial de reduzir eventos que aceleram a progressão da doença e impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes”, afirma Luciana Giangrande, diretora médica da GSK Brasil.
