No Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Ovário, celebrado em 8 de maio, o debate sobre informação qualificada ganha ainda mais relevância diante de um cenário que ainda impõe desafios importantes. No Brasil, são estimados cerca de 8.020 novos casos por ano, segundo o INCA. Apenas cerca de 20% dos cânceres de ovário são diagnosticados em estágio inicial. Quando o câncer de ovário é detectado precocemente, aumentam-se as chances de cura. A ausência de sintomas específicos nas fases iniciais e a falta de um rastreamento populacional eficaz contribuem para esse cenário, tornando a conscientização uma ferramenta essencial.
 

Do ponto de vista terapêutico, a evolução da ciência tem permitido uma mudança importante na forma de tratar o câncer de ovário. Tradicionalmente baseado em cirurgia e quimioterapia, o tratamento hoje incorpora uma abordagem mais personalizada, guiada por características moleculares do tumor.

Ainda assim, desafios persistem, especialmente no acesso a essas inovações, reforçando a importância de sistemas de saúde mais resilientes e equitativos. Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 estão fortemente associadas ao aumento do risco.

Mulheres com mutação no BRCA1 têm 35-45% de chance de desenvolver câncer de ovário ao longo da vida, enquanto para o BRCA2 o risco é de 15-25%. Nesse contexto, o olhar individualizado e a incorporação de testes genéticos passam a ser fundamentais para direcionar decisões clínicas mais assertivas.
 
 
A especialista Débora Dornellas, médica oncologista clínica, desmitifica os principais pontos sobre o câncer de ovário e destaca que o conhecimento sobre fatores de risco e características da doença pode fazer diferença na jornada das pacientes. Confira, abaixo:

O câncer de ovário apresenta sintomas claros desde o início?

Mito: O câncer de ovário, na maioria dos casos, não apresenta sinais evidentes nas fases iniciais³. Segundo Debora, essa é uma das principais razões para o diagnóstico tardio. Quando surgem, os sintomas são inespecíficos e podem incluir distensão abdominal persistente, dor pélvica ou abdominal, sensação de saciedade precoce, alterações urinárias e intestinais. Por serem comuns a outras condições clínicas menos graves, esses sinais frequentemente não são associados à doença, atrasando a investigação adequada e contribuindo para que o diagnóstico ocorra em estágios mais avançados.

Existe um exame eficaz para rastreamento precoce em toda a população?

Mito: De acordo com a oncologista, diferentemente de outros tipos de câncer, não há atualmente um método de rastreamento populacional eficaz e validado para o câncer de ovário. Exames como a ultrassonografia transvaginal e a dosagem do marcador CA-125 podem ser utilizados como ferramentas complementares em pacientes com suspeita clínica ou em grupos de maior risco, como aquelas com histórico familiar ou mutações genéticas. No entanto, esses exames não apresentam sensibilidade e especificidade suficientes para serem utilizados como rastreamento em larga escala, o que reforça a importância de avaliação individualizada e acompanhamento médico regular.

A maioria das pacientes é diagnosticada em estágio avançado?

Verdade: Segundo a especialista, mais de 70% dos casos são identificados nos estágios III e IV, quando o câncer já se disseminou para outras regiões do abdômen ou além. Nesses estágios, as taxas de sobrevida são mais desafiadoras, reforçando a importância do diagnóstico precoce, quando a sobrevida em cinco anos pode alcançar cerca de 90%. Esse dado reforça a importância de reconhecer fatores de risco e sinais persistentes, além de estimular o acompanhamento regular.

O tratamento evoluiu?

Verdade: A oncologista ressalta que os avanços na compreensão da biologia molecular do câncer de ovário permitiram uma mudança relevante na abordagem terapêutica. Hoje, além de cirurgia e quimioterapia, há opções de terapias-alvo que atuam em mecanismos específicos da célula tumoral. Estudos clínicos demonstram que essas terapias podem reduzir significativamente o risco de progressão da doença e prolongar a sobrevida, especialmente quando utilizadas como manutenção após a resposta à quimioterapia?.

A testagem genética auxilia no diagnóstico?

Verdade: A testagem genética no câncer de ovário é essencial para identificar mutações, como BRCA, que orientam o tratamento personalizado e ampliam o acesso a terapias inovadoras. Além disso, contribui para diagnóstico mais preciso e melhores desfechos clínicos, reforçando a importância do diagnóstico precoce.

 
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