COPA DO MUNDO

Especialistas recomendam vacinação para doenças que voltaram a circular

Com jogos a partir de 11 de junho, torcedores precisam estar atentos a imunizações que não são exigidas, mas são fortemente recomendadas

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A um mês do pontapé inicial da Copa do Mundo FIFA 2026, pela primeira vez disputado em três países simultaneamente, brasileiros que planejam acompanhar a seleção em campo precisam olhar além do passaporte, do visto e das passagens.

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O cartão de vacinação, muitas vezes esquecido na gaveta após a infância, volta ao centro das atenções. E o recado dos especialistas é claro: nem todas as vacinas importantes são exigidas na fronteira, mas a ausência delas pode custar caro para a saúde.

Estados Unidos, México e Canadá não exigem comprovação vacinal para a entrada de turistas brasileiros. Contudo, infectologistas são unânimes: o contexto sanitário global atual, marcado pelo ressurgimento de doenças que pareciam controladas, como Sarampo, Coqueluche e Febre Amarela, torna a atualização do calendário vacinal uma medida de prudência e não apenas de burocracia.

"O viajante que chega a um grande evento esportivo, com dezenas de milhares de pessoas de todo o mundo em espaços fechados, está em um ambiente altamente propício para a circulação de vírus respiratórios e outros agentes infecciosos. Estar vacinado é a melhor forma de aproveitar a Copa com tranquilidade", afirma a infectologista Maria Isabel de Moraes-Pinto.

As doenças que voltaram a assustar

O sarampo é talvez o exemplo mais emblemático do risco que acompanha a complacência vacinal. Eliminado do Brasil em 2016, o vírus voltou com força em 2018 e segue circulando globalmente.

Em 2025, a Organização Mundial da Saúde registrou aumento expressivo de casos em países da Europa, Ásia e Américas e, os Estados Unidos não ficaram de fora desse movimento.

O Centers for Diasease Control and Prevention (CDC) recomenda que todos os viajantes internacionais estejam plenamente vacinados contra sarampo com a vacina tríplice viral (SCR ou, em inglês, MMR) antes de qualquer viagem ao exterior.

“O sarampo é uma das doenças mais transmissíveis que existem e o cenário de uma Copa do Mundo é quase ideal para sua circulação. Uma pessoa infectada pode contaminar até 18 não vacinadas no mesmo ambiente. Isso significa que, em um estádio com 80 mil pessoas de dezenas de países, não estar vacinado é assumir um risco desnecessário. A tríplice viral precisa estar em dia com duas doses, sem exceção”, recomenda  o infectologista Guenael Freire.

O sarampo não está sozinho nesse cenário de retorno. A coqueluche (tosse comprida, ou tosse convulsa) é outra doença que voltou a preocupar autoridades sanitárias em diversos países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos, onde surtos foram registrados nos últimos dois anos. A vacina dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) é recomendada para adultos que não receberam reforço nos últimos dez anos.

“A coqueluche voltou ao radar e muita gente não sabe. É uma doença que a maioria associa à infância, mas adultos também adoecem e o que para eles parece uma tosse insistente pode ser fatal para um bebê de três meses. Quem vai viajar, vai se misturar com multidões de todo o mundo. O reforço da dTpa é simples, rápido e pode evitar muito sofrimento”, lembra a infectologista Rosana Richtmann.

México pede atenção redobrada

Entre os três países-sede, o México é o que demanda maior atenção sanitária por parte do viajante brasileiro. Cidades como Guadalajara, Monterrey e a Cidade do México apresentam condições de saneamento mais heterogêneas do que EUA e Canadá, com maior risco de doenças transmitidas por água e alimentos contaminados, como hepatite A e febre tifoide.

A vacina hepatite A é altamente recomendada para todos os destinos da Copa, mas ganha relevância especial para quem vai ao território mexicano. A febre tifoide também entra na lista de recomendações para torcedores que pretendem explorar a gastronomia local fora dos circuitos turísticos mais controlados.

Há ainda um alerta específico do CDC, publicado em dezembro de 2025, para a Febre Maculosa das Montanhas Rochosas no México, transmitida por carrapatos, com casos registrados principalmente nas regiões norte do país ?. O uso de repelente é recomendado em qualquer área aberta.

"O México é um destino fascinante, com uma cultura gastronômica riquíssima. Mas é justamente aí que mora o risco para o viajante desavisado. Hepatite A e febre tifoide são doenças evitáveis por vacina, e ninguém merece passar a Copa internado com febre e dor abdominal. A recomendação é clara: vacine-se antes de embarcar", explica  o infectologista Alberto Chebabo.

Febre amarela: não é exigida, mas a carteirinha deve estar em dia

A febre amarela não é exigida por nenhum dos três países-sede para quem parte diretamente do Brasil. No entanto, especialistas recomendam atenção a dois cenários: viajantes que fizerem escalas em países que exigem o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), e brasileiros que ainda não tomaram a dose única da vacina — que, desde 2020, é válida para a vida toda.

O Ministério da Saúde orienta que a vacina seja aplicada com pelo menos dez dias de antecedência da viagem.“A vacina febre amarela é disponibilizada gratuitamente pelo SUS e, na maioria dos casos, uma dose é considerada suficiente para proteção duradoura. Antes da viagem, é importante verificar se a vacinação está atualizada e se haverá necessidade do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia (CIVP), especialmente em casos de conexões ou exigências específicas de determinados países”, afirma a médica patologista Annelise Corrêa Wengerkievicz Lopes.

Como se preparar

O primeiro passo é buscar um médico ou uma clínica de medicina do viajante com pelo menos quatro a seis semanas de antecedência. Quem precisar do Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia - CIVP pode solicitá-lo gratuitamente pelo portal Gov.br.

Todas as vacinas do calendário básico do adulto são oferecidas gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Vacinas específicas para viajantes podem ser obtidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) ou em clínicas particulares.

O ideal é que a última dose seja administrada pelo menos 15 dias antes do embarque, tempo suficiente para o organismo montar uma resposta imunológica protetora. Atenção especial para idosos e pessoas com doenças crônicas. Idosos, imunossuprimidos e pacientes com doenças cardíacas ou crônicas merecem atenção redobrada. Para esse público, as vacinas influenza, COVID-19 e pneumocócica são especialmente importantes, pois infecções respiratórias podem desencadear complicações graves, como descompensação cardíaca, arritmias e maior risco de hospitalização.

Além da vacinação, medidas complementares fazem a diferença: higienizar as mãos com frequência, usar álcool em gel e, em locais de grande concentração de pessoas, considerar o uso de máscara. A contratação de seguro saúde internacional também é recomendada por especialistas, especialmente para quem tem condições de saúde preexistentes, o custo de uma hospitalização nos Estados Unidos, por exemplo, pode ser extremamente elevado.

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"Cuidar da vacinação antes de viajar é um ato de responsabilidade individual e coletiva. Você protege a si mesmo e evita trazer doenças de volta para a sua família, para os seus vizinhos, para o seu país. A Copa do Mundo é uma festa — e festa boa é festa com saúde", enfatiza Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto.

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