ANTES DOS 40

Perimenopausa começa muito antes do que mulheres imaginam

Fase de transição para menopausa é marcada por sintomas sutis e pouco associados às oscilações hormonais dessa fase, o que contribui para atraso no diagnóstico

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Ainda hoje, muitas mulheres acreditam que a menopausa é um assunto que só deve ser abordado e pensado por volta dos 50 anos, afinal, é nessa faixa etária que surgem os sintomas clássicos, como ondas de calor e alterações menstruais. No entanto, a transição menopausal pode começar muito antes.

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“A perimenopausa, como é conhecida essa fase, já é marcada por oscilações hormonais importantes e pode ter início no final dos 30 ou início dos 40 anos. Discussões recentes em congressos internacionais sobre menopausa têm reforçado que a perimenopausa não começa apenas quando o ciclo menstrual se torna irregular. Em muitos casos, ela se manifesta anos antes, com sintomas mais sutis e pouco reconhecidos. Essas características, somadas à falta de informação sobre essa fase, contribuem para o atraso no diagnóstico”, explica o ginecologista Igor Padovesi, especialista em menopausa certificado pela North American Menopause Society (NAMS).

Segundo o médico, sintomas que comumente surgem nessa fase são alterações cognitivas, como lapsos de memória e dificuldade de concentração, o que é conhecido como brain fog ou nevoeiro mental.

“Muitas mulheres relatam que se sentem mais distraídas, com menor capacidade de raciocínio e concentração, chegando a descrever a sensação de que ficaram ‘menos inteligentes’. Esses sintomas são comuns na perimenopausa, mas raramente são reconhecidos”, pontua o médico.

Outros sinais iniciais incluem alterações do sono, maior ansiedade e irritabilidade, diminuição da libido e a sensação de que “não são mais como antes”. “Fadiga extrema é outra queixa frequente. É muito comum que a mulher acorde cansada e se sinta exausta ao realizar a mesma rotina que antes não gerava esse impacto”, acrescenta.

Do ponto de vista hormonal, essa fase é marcada por grandes oscilações, e não por uma queda progressiva e linear dos hormônios, como muitas imaginam. “As oscilações são intensas e irregulares, o que explica por que os sintomas variam tanto de uma mulher para outra e até na mesma mulher ao longo do tempo”, esclarece Igor Padovesi.

Ele explica que um dos grandes desafios do diagnóstico da perimenopausa é justamente o fato de não existir um exame específico capaz de confirmá-la. “Assim como a menopausa, trata-se de uma síndrome clínica, baseada no conjunto de sinais e sintomas”, afirma.

“E o que dificulta ainda mais o diagnóstico é que muitas mulheres nessa fase mantêm ciclos menstruais regulares. Por isso, tanto pacientes quanto profissionais acabam descartando a possibilidade de perimenopausa, mesmo diante de sintomas claros”, complementa.

O desconhecimento sobre essa fase faz com que muitas mulheres se surpreendam ao perceber que já estão na perimenopausa, especialmente aquelas com rotinas intensas. “Sobrecarga de trabalho, cuidados com filhos, responsabilidades familiares e profissionais acabam mascarando os sintomas e dificultando a percepção de que essas mudanças têm origem hormonal”, diz o ginecologista.

Por isso, é importante que a conversa sobre perimenopausa comece mais cedo. “Reconhecer essa fase precocemente permite tratar os sintomas de maneira adequada e preservar a qualidade de vida em um período que muitas mulheres ainda atravessam sem diagnóstico”, ressalta o médico.

Com relação ao tratamento da perimenopausa, Igor Padovesi explica que consiste basicamente na terapia hormonal. “Esse é o tratamento padrão, tanto da perimenopausa quanto da menopausa. Medidas como atividade física, melhora do sono e redução do estresse são importantes como coadjuvantes, mas não substituem a terapia hormonal”, afirma o médico.

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“Muitas mulheres ainda se surpreendem ao saber que a terapia hormonal pode e deve ser iniciada mesmo quando a menstruação ainda é regular, desde que os sintomas sejam compatíveis com a perimenopausa e não existam contraindicações, que são poucas”, reforça.

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