Tratamento imunobiológico para doenças respiratórias é aprovado no Brasil
O medicamento foi aprovado como tratamento complementar para pacientes a partir de 12 anos com asma não controlada
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou depemoquimabe para o tratamento de pacientes com asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais (RSCcPN) mediadas por inflamação tipo 2. O medicamento foi aprovado como tratamento complementar para pacientes a partir de 12 anos com asma não controlada associada à inflamação do tipo 2 (fenótipo eosinofílico), e para adultos com rinossinusite crônica com pólipos nasais grave não controlada.
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A nova terapia é o primeiro medicamento imunobiológico de ultralonga ação, com uma administração subcutânea a cada seis meses. Esse esquema terapêutico está associado à redução de marcadores inflamatórios relacionados às doenças respiratórias associadas à inflamação tipo 2.
Evidências clínicas e impacto no controle da doença
A aprovação regulatória é baseada em dados de quatro estudos clínicos de fase III — SWIFT 1 e 2, e ANCHOR 1 e 2 — que avaliaram a eficácia e segurança de depemoquimabe em pacientes com asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais, respectivamente. Esses estudos demonstraram resultados estatisticamente significativos e clinicamente relevantes quando o medicamento foi adicionado ao tratamento padrão, em comparação ao uso isolado da terapia de base.
Nos estudos SWIFT 1 e 2, conduzidos em pacientes a partir de 12 anos com asma, o tratamento demonstrou redução significativa na taxa anualizada de exacerbações, com diminuições de 58% e 48% ao longo de 52 semanas. Esses resultados foram acompanhados por menor ocorrência de episódios que levaram a hospitalizações ou atendimentos de emergência, que representam desfechos clínicos importantes na asma.
Nos estudos ANCHOR, realizados com pacientes adultos com rinossinusite crônica com pólipos nasais, o tratamento demonstrou melhora significativa de desfechos clínicos relevantes, incluindo redução do tamanho dos pólipos nasais e melhora da obstrução nasal. Também foram observadas reduções na necessidade de uso de corticosteroides sistêmicos, com uma tendência à redução da necessidade de intervenção cirúrgica, refletindo um impacto potencial da terapia em desfechos relevantes da doença.
“Pacientes com asma e rinossinusite crônica com pólipos nasais frequentemente apresentam crises e sintomas persistentes, mesmo com o tratamento padrão otimizado. A chegada de uma nova opção terapêutica que atua diretamente na inflamação tipo 2 e contribui para a redução desses episódios agudos representa um avanço importante na prática clínica, ampliando as possibilidades de controle da doença e melhora da qualidade de vida desses pacientes”, afirma Luciana Giangrande, diretora médica da GSK Brasil.
"A ciência nos permitiu desenvolver um tratamento de ultralonga ação, administrado apenas duas vezes ao ano”, acrescenta Elisama Baisch, gerente de grupo médico da GSK Brasil.
Doenças respiratórias ainda representam desafio relevante
No Brasil, há cerca de 20 milhões de asmáticos e muitos desses pacientes ainda não recebem tratamento completo e adequado, o que impacta diretamente o controle da doença . Já a rinossinusite crônica com pólipos nasais é uma condição inflamatória persistente que pode comprometer significativamente a qualidade de vida, com sintomas como obstrução nasal, perda de olfato e dificuldade para respirar e dormir.
Nesse contexto, depemoquimabe representa uma nova opção terapêutica que atua diretamente na inflamação tipo 2, com potencial de reduzir crises e contribuir para o controle da doença quando utilizado como parte de uma abordagem integrada de tratamento.
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De acordo com Eduardo Cançado, pneumologista e professor e pesquisador da pneumologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, existem aproximadamente 20 milhões de pacientes com asma no Brasil, sendo que apenas 12% desses pacientes estão com a condição controlada. "Isso porque a maioria acha que a asma é simplesmente uma ‘bronquitezinha’ e usa medicação só broncodilatador de resgate quando está em crise. Na verdade, a doença é uma inflamação crônica das vias aéreas e como tal deve ser tratada diariamente com medicação anti-inflamatória", pondera.
Já o professor associado da FMRP-USP, otorrinolaringologia e Cirurgia de Base de Crânio, Edwin Tamashiro, destaca como os avanços recentes têm transformado o cuidado desses pacientes. "Novas terapias com imunobiológicos, medicamentos desenvolvidos para atuar de forma direcionada em mecanismos específicos da inflamação, vêm apresentando resultados promissores principalmente em pacientes com pólipos nasais graves ou doenças de difícil controle. Esses tratamentos podem reduzir sintomas, melhorar o olfato, diminuir a necessidade de corticoides sistêmicos e reduzir a recorrência da doença após cirurgias", explica.