Hepatite: como se prevenir e detectar os primeiros sinais da doença
A hepatite é silenciosa e, quando não tratada, pode causar complicações como cirrose e até mesmo câncer
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A hepatite pode levar anos para apresentar os primeiros sinais de alerta, principalmente se for dos tipos B e C. No entanto, enquanto infecta uma pessoa sem gerar sintomas, a doença causa danos ao fígado e pode até mesmo provocar câncer. No Brasil, 826 mil pessoas possuem a enfermidade. Além disso, os casos de hepatite A aumentaram 54,5% em 2024, de acordo com o Ministério da Saúde.
“A hepatite é uma inflamação do fígado e pode ter várias causas. A origem mais comum são os vírus, que geram os tipos A, B, C, D e E da enfermidade. Porém, a doença também pode ser causada pelo consumo excessivo de álcool, quando o sistema imunológico agride o fígado, por excesso de remédios ou por ingestão de substâncias tóxicas”, explica Flávio Denari, profissional da área de clínica médica do AmorSaúde.
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“Quando não tratada, principalmente nos casos crônicos, a hepatite pode evoluir para fibrose hepática, cirrose, insuficiência no fígado, hemorragia digestiva e até mesmo câncer. Por isso, o diagnóstico precoce faz grande diferença”, ressalta o médico.
Diferentes tipos de hepatite
As hepatites virais são as mais comuns no Brasil e também aquelas que mais representam riscos, por serem doenças silenciosas, ou seja, muitas vezes sem sintomas. Flávio explica as características de cada uma das variantes da doença.
- Hepatite A: é transmitida principalmente por água ou alimentos contaminados e pela falta de higiene. Costuma ser aguda, e o infectado apresenta sintomas como febre, cansaço, dor abdominal e olhos amarelados em até 50 dias. Esse tipo da doença não costuma evoluir para forma crônica
- Hepatite B: é transmitida por sangue, relações sexuais desprotegidas e da mãe para o bebê no parto. Pode se tornar crônica. Em muitos casos, a doença não apresenta sintomas e causa danos ao fígado sem que a pessoa saiba
- Hepatite C: é transmitida principalmente por contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de seringas, por materiais perfurocortantes ou por procedimentos sem esterilização adequada. Também não apresenta sintomas e se torna crônica com frequência
- Hepatite D: ocorre apenas em pessoas que já têm hepatite B, pois depende desse vírus para infectar novamente o paciente. Os sintomas, como dor no abdômen e olhos amarelos, costumam aparecer rapidamente
- Hepatite E: semelhante à hepatite A, é transmitida por água e alimentos contaminados, e geralmente se torna aguda. É um tipo de hepatite que não é encontrado com frequência no Brasil.
Flávio afirma que alguns sinais de alerta podem ajudar a detectar a doença. “Sintomas como dor no lado direito do abdômen, pele e olhos amarelados (icterícia), acompanhados de urina escura e fezes claras podem indicar hepatite”.
Porém, de acordo com o médico, a melhor forma de detectar a enfermidade é por meio de exames. “Como muitas vezes a hepatite é silenciosa, a pessoa pode estar infectada sem sintomas. Por isso, exames de sangue periódicos são fundamentais, especialmente em pessoas com fatores de risco”, defende.
Prevenção e tratamento
Alguns hábitos simples, como higienizar alimentos, ingerir água filtrada e cozinhar bem as carnes e verduras que serão consumidas, já ajudam a evitar alguns tipos de hepatite. Flávio cita ainda outras práticas de prevenção:
- Vacinação: existem imunizantes eficazes para hepatite A e B. Essas vacinas também protegem as pessoas indiretamente contra o tipo D da doença
- Uso de preservativo nas relações sexuais: a prática pode ajudar a evitar as variáveis B e C da doença
- Não compartilhar materiais cortantes: agulhas, seringas, alicates de unha, lâminas de barbear e escovas de dente podem conter sangue de pessoas contaminadas por hepatite. É importante não compartilhar esses itens
“Nas hepatites não virais, o tratamento consiste em eliminar a causa da inflamação no fígado, o que pode significar parar de ingerir álcool, ajustar remédios, ou usar imunossupressores, caso o próprio corpo esteja atacando o órgão”, sintetiza.
O médico ainda explica que, caso uma pessoa esteja contaminada, o tratamento varia de acordo com o tipo de hepatite. “As hepatites A e E exigem apenas repouso, hidratação e acompanhamento médico. Para o tipo C, hoje temos tratamento oral com antivirais, com taxas de cura acima de 95% em muitos casos”, conta.
O profissional esclarece que os tipos B e D requerem maior esforço no tratamento. “A hepatite B pode exigir antivirais em casos crônicos. Nem sempre há cura definitiva para a doença, mas há excelente controle. Já para o tipo D, o tratamento é mais complexo e deve ser feito por especialista”, resume.
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Em todos os casos, Flávio diz que suspender o consumo de álcool, não se automedicar e manter uma alimentação equilibrada, rica em verduras, frutas e proteínas magras, pode ajudar a evitar o avanço da doença.