As doenças inflamatórias intestinais (DII), como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, vêm ganhando relevância no Brasil não apenas pelo aumento de casos, mas também por novas evidências associadas aos impactos amplos na saúde e na qualidade de vida dos pacientes.
O avanço dessas condições crônicas reforça a necessidade de atenção contínua e abordagem integrada. Veja abaixo três pontos que ajudam a compreender os desafios das DII:
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O trabalho, que ganhou destaque na última edição da Semana Brasileira das Doenças Inflamatórias Intestinais (6ª SEBRADII), reforça a necessidade de uma abordagem integrada no cuidado, que considere não apenas os sintomas gastrointestinais, mastambém a saúde mental dos pacientes. O manejo adequado das DII pode contribuir para reduzir esses impactos, enquanto o suporte psicológico adequado também pode influenciar positivamente o curso da doença.
2) Internações por DIIs cresceram 61% em uma década
Dados recentes compilados pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia, a partir do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, do Ministério da Saúde, apontam que as internações por doenças inflamatórias intestinais cresceram 61% no Brasil nos últimos dez anos. O aumento pode refletir tanto maior incidência quanto agravamento dos casos, além de desafios no diagnóstico precoce e no manejo contínuo da doença.
Esse crescimento também acende um alerta para o sistema de saúde, já que as DII estão associadas a internações frequentes, procedimentos complexos e uso de terapias de alto custo. A ampliação do diagnóstico e o acompanhamento adequado são fatores essenciais para evitar complicações e reduzir a necessidade de hospitalizações.
3) DIIs afetam especialmente a população em idade produtiva
As doenças inflamatórias intestinais apresentam maior concentração em faixas etárias mais jovens, especialmente entre 20 e 29 anos, grupo que reúne o maior volume de internações relacionadas à condição no Brasil, segundo análise recente dedados epidemiológicos. Esse perfil reforça que as DII não são doenças restritas a idosos, mas atingem principalmente pessoas em início ou pleno desenvolvimento de suas atividades profissionais e acadêmicas.
Esse padrão etário amplia o impacto da doença para além da saúde individual. Ao afetar especialmente a população em idade produtiva, as DII estão associadas a prejuízos na qualidade de vida, afastamentos do trabalho, queda de produtividade e impactos na trajetória educacional, sobretudo em casos com diagnóstico tardio ou controle inadequado da doença.
O que pode estar por trás desse avanço?
Especialistas apontam que o aumento de casos de DII está associado a mudanças no estilo de vida e no ambiente. Entre os principais fatores estão a alimentação rica em ultraprocessados, o estresse crônico, alterações na microbiota intestinal e ouso frequente de antibióticos. Esses elementos, combinados, podem contribuir para o desequilíbrio do sistema imunológico e o surgimento de doenças inflamatórias.
A importância do tratamento contínuo
“Por se tratar de doenças crônicas, as DII exigem acompanhamento contínuo, mesmo fora dos períodos de crise. A interrupção do tratamento ou o controle inadequado pode levar à progressão da doença, aumento das complicações e maior risco de hospitalizações”, afirma Sérgio Teixeira, diretor médico da Ferring no Brasil.
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O acompanhamento regular, aliado à adesão ao tratamento e ao monitoramento dos sintomas, é fundamental para manter a doença sob controle, preservar a qualidade de vida e reduzir o impacto a longo prazo.
