Ele é fisioterapeuta de formação, pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCCMG), mas posteriormente ingressou na medicina pela Unincor (MG), e tornou-se especialista em cardiologia pelo Hospital Vera Cruz. Talvez pela infância esportiva e por valorizar um estilo de vida saudável, na qual se dedicou, até a adolescência, ao basquete, Henrique Cândido Gonçalves de Oliveira escolheu ser médico e, desde a faculdade, já participava da liga acadêmica de cardiologia. Desde 2016, como cardiologista, sempre reforçou junto aos pacientes a importância de se manter bons hábitos de saúde, visando evitar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Atualmente, trabalha no ambulatório de cardiologia da Hapvida, como cardiologista da Associação dos Empregados no Comércio (AEC), com atendimentos particulares, presencial e telemedicina e como colaborador do centro de pesquisas Nupec One.

Em entrevista ao Estado de Minas, o médico destaca a “medicina do estilo de vida” como fator preponderante para uma vida longeva e com qualidade. Para mais informações: hcgo2503@gmail.com ou @henriquecandido2503


Quais são as principais doenças que acometem o coração? 

As principais doenças que acometem o coração são: hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e diabetes mellitus. Se conseguíssemos controlar essas três comorbidades, os números de morbimortalidade relacionada às doenças cardiovasculares como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular encefálico (o  temido "derrame"), seriam reduzidos drasticamente. 

As estatísticas e as intercorrências são similares para homens e mulheres?

Os homens têm o risco mais elevado de desenvolver alguma intercorrência cardiovascular, porém, após a menopausa, o risco da mulher tende a se igualar e até a ultrapassar.

Ao longo da vida, como a pessoa deve se comportar com relação ao coração e doenças cardiovasculares?

No Congresso Mundial de Cardiologia, em 2022, tive a oportunidade de ouvir da boca dos dois mais influentes cardiologistas do mundo - Eugene Braunwald, hoje com 96 anos, e Valentín Fuster, de 80 anos -, a frase "Cuidemos das nossas crianças!!". As evidências atuais mostram claramente que aquilo que fazemos ao longo da nossa vida será colhido no futuro. Assim a conta chega...

Por quanto tempo fumou?, Por quanto tempo conviveu com obesidade?, Por quanto tempo permaneceu com a pressão elevada?, Com glicose alta?, Com colesterol alto?, Com distúrbio do sono?, Com estresse?, Com má alimentação?, Com sedentarismo?, Com abuso de drogas, lícitas ou ilícitas?, Com depressão, com ansiedade?. 

Obviamente que é da natureza humana ser imperfeito, e esse mundo platônico existe apenas no contexto do ideal. Porém, quão cedo nos conscientizarmos a fazer o certo, melhor será o legado que estaremos construindo para nós mesmos no dia seguinte.

Hoje, a medicina do estilo de vida enfatiza a ideia da prevenção e escreve diretrizes com metodologias para que possamos ajudar os nossos pacientes a terem mais sucesso nessa desafiadora tarefa que é criar hábitos saudáveis.

O maior inimigo do coração é a má alimentação?

Eu diria que o maior inimigo do coração é o sedentarismo. Claro que má alimentação também é uma grande vilã, mas a falta de exercícios traz prejuízos que nenhum remédio é capaz de resolver. 

Um exemplo interessante vem do início do tratamento do infarto. Antes, o paciente infartado era mantido em repouso absoluto, tomava até laxante para não fazer esforço nem mesmo para evacuar. Acreditava-se que o menor esforço poderia trazer complicações para o coração infartado. 

Hoje a reabilitação cardíaca é feita de forma segura, por vários profissionais, fisioterapeutas e equipe, e começa já dentro do CTI. Coisas que parecem simples como sentar no leito, se levantar e dar uma pequena caminhada já contribuem para excelentes resultados comparados à época do repouso absoluto.

E a questão genética?

A genética e a chamada medicina de precisão já são uma realidade. Temos exames hoje capazes de detectar a predisposição de desenvolver doenças cardiovasculares. 

Mas deixo uma dica prática: se você tem um parente de primeiro grau que teve infarto, acidente vascular cerebral (AVC), ou morte súbita antes dos 55 anos, em caso de homem, e menos de 65 anos se for mulher, você tem genética de risco!

Um exame que tem sido muito recomendado por cardiologistas é a lipoproteína - a LP(a). Esse exame  é feito pelo sangue e pode evidenciar uma dislipidemia genética de alto risco para infarto e doença da valva aórtica. Em condições ideais é feito apenas uma vez na vida e pode ajudar a traçar estratégias mais eficazes de prevenção. 

O brasileiro trata bem seu coração, ou seja, pode-se dizer que ele cuida da saúde do coração?

Aproximadamente 400 mil pessoas morrem de doenças cardiovasculares todos anos no Brasil. Mas isso não é um problema exclusivo do brasileiro. O infarto e o AVC são as principais causas de morte  do mundo. Cerca de uma a cada três mortes no planeta são decorrentes das doenças cardiovasculares. 

Em que se baseia o life’s essential 8 e como esse modelo pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas?

Esse modelo define oito fatores fundamentais para otimizar a saúde do coração e reduzir o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular.

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De forma clara e resumida, são:

1. Alimentação saudável

2. Atividade física

3. Não fumar

4. Sono adequado (ideal: 7–9 horas/noite)

5. Peso saudável

6. Controle do colesterol

7. Controle da glicemia

8. Controle da pressão arterial

Há mais algum fator que pode contribuir para uma vida longa e saudável?

Além desses itens óbvios, acrescento a importância da espiritualidade, ou seja, o paciente precisa ter um propósito de vida, ter conexões, valores, fé ou sentido existencial. A espiritualidade modula como nosso corpo reage às doenças e ao estresse, reduzindo o risco de infarto e AVC. 

Por último, e tão importante quanto todos os outros, cito a vacinação. Doenças como o herpes zoster (uma a cada três pessoas ao longo da vida terão herpes zoster), a síndrome gripal causada pelo vírus da influenza, vírus sincicial respiratório e COVID 19 aumentam de maneira significativa o risco de morte por doenças cardiovasculares. É isso mesmo. Estou afirmando que vacinas reduzem o risco de morrer por doenças do coração. 

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Resumo: mova-se! Conscientize-se e assuma sua corresponsabilidade pela própria saúde. Vacine-se! Procure seu médico e discuta as estratégias de construção de uma saúde melhor no futuro.

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