Fazer exercício durante a quimioterapia pode ajudar mulheres com câncer de mama a se sentirem melhor ao longo do tratamento. É o que mostra uma metanálise publicada em fevereiro de 2026 na revista The Lancet Healthy Longevity, que reuniu dados de 21 estudos clínicos com 3.024 pacientes. Segundo os autores, a prática de atividade física trouxe melhora significativa na qualidade de vida dessas mulheres.
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O trabalho analisou pesquisas feitas entre 2005 e 2025 e concluiu que diferentes tipos de exercício podem trazer benefício durante a quimioterapia. Os melhores resultados apareceram com exercícios aeróbicos, como caminhada, bicicleta e atividades para ganhar fôlego, mas também houve efeito positivo com treinos que combinam aeróbico e força e com exercícios de força isolados.
Além da qualidade de vida de forma geral, os ganhos apareceram em áreas importantes do dia a dia, como bem-estar emocional e saúde física. O estudo reforça que o exercício não deve ser visto apenas como complemento, mas como parte do cuidado de suporte durante o tratamento oncológico.
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“Esse estudo mostra achados coerentes com o que os outros dados têm mostrado: nosso corpo é feito pra estar em movimento, na intensidade que for. Um achado robusto desse talvez nos mostre que se exercitar durante o tratamento não só é permitido, como é recomendado”, afirma o oncologista clínico Daniel Musse, membro das sociedades brasileira, americana e europeia de oncologia clínica.
Os autores destacam que o efeito positivo foi consistente mesmo com diferenças entre os estudos analisados. A revisão incluiu apenas ensaios clínicos randomizados, que são pesquisas com método mais rigoroso, e avaliou mulheres em quimioterapia ativa para câncer de mama.
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Na prática, isso significa que medidas simples, como manter uma rotina de exercícios acompanhada e adaptada à realidade da paciente, pode fazer diferença no enfrentamento do tratamento. O artigo cita que as recomendações atuais de sociedades médicas já apoiam a inclusão de atividade física durante o cuidado oncológico.
“Não se trata de desempenho ou cobrança. O foco é ajudar a paciente a atravessar o tratamento da melhor forma possível. Muitas vezes, pequenas rotinas de movimento, com segurança e orientação, já podem ter impacto real no corpo e também na saúde mental”, completa Daniel.
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O estudo conclui que ainda são necessários novos trabalhos para definir qual seria a melhor ‘dose’ de exercício em cada caso, mas deixa claro que se movimentar durante a quimioterapia pode trazer ganhos concretos para a qualidade de vida.
