Para muitas pessoas, comer chocolate gera uma sensação de felicidade, o que poucos sabem é que essa sensação tem base científica. Esse alimento realmente pode impactar positivamente o humor.
O efeito benéfico é desencadeado pelo triptofano, um aminoácido presente em alta concentração no cacau, que é um precursor direto da serotonina, um neurotransmissor conhecido por regular o sono, reduzir a ansiedade e combater a irritabilidade.
“O mais importante para obter os benefícios do triptofano é a pureza do cacau. Quanto maior a porcentagem, maior o impacto positivo na bioquímica cerebral, contribuindo significativamente para o humor e a cognição”, explica a nutróloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Júlia Soffner.
Segundo a especialista, diferente do pico de energia seguido por fadiga causado pelo excesso de açúcar em versões ultraprocessadas, o cacau puro (70% ou mais) é rico em teobromina. Este alcalóide oferece um efeito estimulante mais suave e persistente que a cafeína, potencializando a concentração.
"O consumo ideal para colher benefícios para o emocional está na faixa de 70% a 85% de sólidos de cacau. Abaixo disso, o excesso de açúcar tende a anular os efeitos neuroquímicos positivos, gerando picos glicêmicos que podem causar quedas bruscas de energia e alterações de humor," explica Júlia.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab), o brasileiro consome em média 3,9kg de chocolate por ano e a Páscoa é um período que influencia o aumento do consumo, por se tratar de um feriado que culturalmente reforça a venda de chocolate.
Diferença nutricional entre os tipos de chocolate
O impacto no humor varia drasticamente conforme a concentração de massa de cacau nos chocolates. A especialista explica que o chocolate extra amargo (85% a 100% de cacau) possui uma maior concentração de triptofano e teobromina, proporcionando uma melhora na química cerebral. Já o chocolate amargo (70% a 80%) também tem esses benefícios.
“O meio amargo (40% a 60%) é uma opção com vantagens moderadas, pois a menor concentração de cacau corre o risco de concorrência com o pico glicêmico. No caso do chocolate ao leite (25% a 35%), o impacto positivo neuroquímico é baixo, e o bem-estar gerado é efêmero, vindo principalmente do açúcar”, comenta a nutróloga.
Júlia também ressalta que o chocolate branco, por não conter massa de cacau, é nulo do ponto de vista nutricional em relação ao triptofano ou teobromina. Além disso, o consumo diário de chocolate recomendado gira em torno de 10g a 30g por dia, de acordo com a nutróloga.
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“Para quem busca no chocolate um suporte para o bem-estar e desempenho cognitivo, a recomendação é priorizar o chocolate amargo, consumindo-o de forma moderada. O alimento consolida-se, assim, não apenas como um prazer gastronômico, mas como suporte à saúde emocional”, sugere o especialista.
