Doação de órgãos: o que acontece após a confirmação de morte encefálica
O gesto pode salvar várias vidas; entenda o passo a passo do processo de doação de órgãos, desde o diagnóstico de morte cerebral até o transplante
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A confirmação de morte encefálica, como no recente caso da jornalista Alice Ribeiro, abre a possibilidade para um gesto que pode salvar múltiplas vidas: a doação de órgãos. O diagnóstico representa a perda completa e irreversível das funções do cérebro, o que, para a legislação brasileira, é o critério que define a morte de uma pessoa. A partir desse momento, uma corrida contra o tempo se inicia para viabilizar os transplantes.
O processo só pode começar após a família do paciente autorizar a doação. No Brasil, a decisão final é sempre dos parentes, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora. Por isso, a principal recomendação é conversar abertamente sobre o assunto com os familiares para que a vontade seja conhecida e respeitada.
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O passo a passo da doação de órgãos
Uma vez que a família autoriza o procedimento, uma série de etapas é acionada de forma rápida e organizada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). A coordenação fica a cargo das Centrais Estaduais de Transplantes (também conhecidas como CNCDO - Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos), que atuam em nível estadual.
O fluxo geralmente segue a seguinte ordem:
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Avaliação do doador: a equipe médica realiza uma bateria de exames para verificar a saúde e a compatibilidade dos órgãos, como coração, pulmões, fígado, rins, pâncreas e córneas. Isso garante a segurança do receptor.
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Busca por receptores: com os resultados em mãos, a Central de Transplantes consulta a lista de espera única nacional/estadual, organizada por critérios como tipo sanguíneo, compatibilidade genética e gravidade do caso.
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Logística e cirurgia: após encontrar os receptores compatíveis, uma complexa operação logística é montada. A cirurgia para a retirada dos órgãos é realizada com o mesmo cuidado de qualquer outro procedimento cirúrgico.
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Transporte e transplante: cada órgão tem um tempo máximo de isquemia (período que pode ficar fora do corpo sem circulação sanguínea), que varia: coração e pulmões têm de 4 a 6 horas; fígado e pâncreas, de 12 a 24 horas; e rins, até 48 horas. O transporte, muitas vezes envolvendo a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), precisa ser ágil para que o órgão chegue ao hospital do receptor a tempo do transplante.
Um único doador pode salvar ou melhorar a qualidade de vida de até dez pessoas. Além dos órgãos sólidos, tecidos como pele, ossos e válvulas cardíacas também podem ser doados, ampliando ainda mais o alcance desse ato de solidariedade.
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Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.