Em um cenário em que especialistas alertam para o excesso de telas e a redução de estímulos motores na primeira infância, a natação surge como uma aliada do desenvolvimento infantil. Mais do que aprender a nadar, a experiência na água pode impactar diretamente a formação cerebral nos primeiros anos de vida.
- Só limitar o tempo de tela usado por crianças não evita prejuízos; entenda
- Como a dependência digital afeta saúde mental de crianças e adolescentes
Um estudo publicado em 2024 na revista científica Frontiers in Public Health, investigou os impactos de um programa de natação de oito semanas no desenvolvimento infantil. A pesquisa avaliou crianças em idade pré-escolar e identificou melhora significativa em indicadores de capacidade física e escores de inteligência entre aquelas que participaram das aulas de natação acompanhadas pelos pais, em comparação com grupos que realizaram apenas atividades físicas tradicionais.
A primeira infância é considerada uma das fases mais importantes para o desenvolvimento do cérebro. É nesse período que ocorre intensa formação de conexões neurais, processo conhecido como neuroplasticidade. Quanto mais variados e integrados forem os estímulos, maior a chance de fortalecimento dessas conexões.
De acordo com o profissional de educação física Breno Daniel, da Academia Corpo e Saúde, o ambiente aquático oferece um conjunto único de estímulos. “A água exige coordenação bilateral, equilíbrio, controle respiratório e percepção espacial ao mesmo tempo. Esse conjunto ativa diferentes áreas do cérebro simultaneamente, favorecendo o desenvolvimento cognitivo”, explica.
Leia Mais
Outros achados de pesquisas científicas sobre o tema reforçam essa relação entre movimento e desenvolvimento cognitivo. Um ensaio clínico publicado em 2022 na revista Perceptual and Motor Skills, analisou bebês que participaram de um programa de natação de dez semanas. Os pesquisadores observaram melhora nas habilidades motoras e sinais positivos em funções executivas, como memória de trabalho e controle inibitório.
Desenvolvimento da parte emocional
Além da parte cognitiva, Breno destaca o impacto emocional: “A criança aprende a lidar com pequenos desafios dentro de um ambiente seguro. Isso fortalece a autonomia, a confiança e a autorregulação emocional, que também influenciam o desempenho escolar mais adiante.”
Luana Cristina, aluna da Corpo e Saúde, relata que suas duas filhas fazem natação, a mais velha desde os 11 meses, e a outra, começou um pouco mais tarde, com três anos de idade. Hoje, a mãe relata que fica tranquila de passear em locais com piscina, pois sabe que as filhas conseguem ficar na piscina sozinhas, pois com as aulas, desenvolveram o instinto de sobrevivência entre outras habilidades.
“A natação foi bom para o desenvolvimento social das minhas filhas. Elas aprenderam a ser independentes, a ter autoconfiança, e o mais importante foi a sobrevivência”, comenta Luana.
- Como educar baseado na neurociência: a importância dos laços afetivos
- Por que algumas crianças são geniais — e qual o impacto disso
Outro ponto relevante é a redução do sedentarismo na infância. Com o aumento do tempo de exposição a telas, atividades que envolvem movimento e estímulos sensoriais completos se tornam ainda mais importantes para o desenvolvimento da criança.
Emanuele, também aluna e mãe da Maria Helena, conta que matricular sua filha na natação, aos sete meses, ajudou no sedentarismo digital. “Ao trocar o brilho das telas pelo movimento da piscina, minha filha apresentou uma melhora nítida na qualidade do sono, maior foco nas atividades diárias e uma conexão muito mais real com o próprio corpo e com o ambiente ao redor”, comenta.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Embora especialistas ressaltem que a natação não substitui outros estímulos educacionais, ela pode funcionar como um complemento estratégico na formação infantil, integrando desenvolvimento físico, emocional e cognitivo em uma única prática.
