Medicamento mostra melhora na sobrevida em câncer de mama inicial
Resultados de ensaio clínico reforçam eficácia de tratamento com abemaciclibe e terapia endócrina, usada em pacientes com tumores HR+/HER2 de alto risco
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Um novo estudo que demonstra que o medicamento abemaciclibe melhora a sobrevida de pessoas com câncer de mama em estágio inicial e de alto risco.
De acordo com conclusões de ensaio clínico de fase 3 monarchE, dois anos de tratamento com abemaciclibe combinado à terapia endócrina reduziram o risco de morte em 15,8%, em comparação com a terapia endócrina isolada entre pacientes com um tipo comum de câncer de mama em estágio inicial.
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O estudo, com participação de pesquisadores da Mayo Clinic, incluiu mais de 5.600 pacientes em mais de 600 centros de pesquisa distribuídos por 38 países. Todos os participantes tinham câncer de mama com receptor hormonal positivo (HR+) e com receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano negativo (HER2-), um subtipo que inclui 70% de todos os casos de câncer de mama, e também apresentavam câncer em pelo menos um linfonodo axilar, fator associado a maior risco de recorrência.
"Esta é a primeira terapia a prolongar significativamente a sobrevida dessa população de pacientes em mais de duas décadas," diz o oncologista clínico de mama no Centro Oncológico Integral da Mayo Clinic, Matthew Goetz, M.D., coautor do estudo. "Com a adição de apenas um medicamento à terapia endócrina padrão, estamos não apenas observando menos recorrências, mas também reduzindo a probabilidade de morte por câncer de mama."
Essas descobertas, publicadas em fevereiro de 2026 no Annals of Oncology, estabelecem o abemaciclibe em combinação com a terapia endócrina como o novo padrão de tratamento para esse grupo de alto risco.
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O abemaciclibe é um inibidor de CDK4/6, um tipo de medicamento que bloqueia as proteínas envolvidas na divisão das células cancerígenas. É o primeiro medicamento de sua classe aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento do câncer de mama em estágio inicial de alto risco e com comprometimento linfonodal. O médico liderou anteriormente o ensaio clínico Monarch 3, que resultou na aprovação do abemaciclibe pela FDA em combinação com a terapia hormonal para o câncer de mama HR+/HER2- avançado.
"O abemaciclibe foi desenvolvido para atingir o câncer de mama com receptor de estrogênio positivo de uma forma diferente da quimioterapia, retardando a proliferação das células cancerígenas," explica Matthew. "Agora podemos afirmar, com segurança, que os benefícios observados inicialmente, em termos de redução da recorrência, se traduzem em uma melhora na sobrevida, que é o que mais importa para os pacientes."
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Embora a maioria dos pacientes com câncer de mama HR+/HER2- apresente bons resultados a longo prazo, aqueles com comprometimento linfonodal ou tumores grandes ou de alto grau têm maior probabilidade de apresentar recorrência.
Entre os pacientes que receberam abemaciclibe em combinação com a terapia endócrina, houve uma redução de 32% na disseminação da doença após sete anos, em comparação com aqueles que receberam apenas a terapia endócrina. Isso confirma que o abemaciclibe ajuda a reduzir o risco de recorrência mesmo após o término do tratamento com o medicamento.
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O acompanhamento contínuo irá determinar se o benefício em termos de sobrevida se intensifica ao longo do tempo.