Jornal Estado de Minas

JUSTIÇA

Bolsonarista da bomba no aeroporto é condenado a 6 anos de prisão

O blogueiro Wellington Macedo de Souza, o terceiro bolsonarista envolvido na tentativa de explosão de uma bomba nos arredores do Aeroporto Internacional de Brasília, foi condenado, nesta quinta-feira (17/8), a seis anos de prisão. A sentença é do juiz Osvaldo Tovani, da 8ª Vara Criminal de Brasília, que já havia condenado os outros dois envolvidos no crime, George Washington e Allan Diego.





 

Macedo foi quem conduziu o carro e que levou Allan Diego até o aeroporto na véspera de Natal de 2022. George Washington foi quem confeccionou o artefato.

 

Macedo foi condenado por expor a perigo de vida, a integridade física de outro mediante explosão, arremesso ou colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos. O bolsonarista foi condenado a regime inicial fechado e também a pagar 250 dias-multa.

 

O juiz Tovani concuiu que o conjunto probatório é seguro para a condenação e que a culpabilidade é evidenciada. "O crime foi premeditado. O acusado conheceu pelo menos um dos co-autores em Brasília, no acampamento montado em frente ao QG do Exército. As emulsões explosivas vieram do Pará, a pedido de George, o qual, após a montagem, entregou o artefato explosivo para Alan, que, por sua vez, ligou para o acusado e se encarregaram de tarefa importante, a colocação do artefato no local escolhido", escreveu o juiz na sentença, obtida pelo Correio Braziliense.

Tovani afirma também na decisão que houve uma tentativa de detonação, não concretizada por erro de montagem, o que demonstra "que a motivação era, palavras do co-autor, 'dar início a um caos'". "O fato de ter sido colocado nas imediações do Aeroporto Internacional de Brasília não pode ser ignorado, até porque o local foi previamente escolhido, conforme demonstram os vídeos do veículo (dirigido por Macedo) passando várias vezes na região até se aproximar do caminhão-tanque".





 

Para o juiz, houve premeditação na ação dos bolsonaristas, "já que se conheceram no acampamento montado em frente ao QG do Exército". Tovani entendeu também que Macedo não foi um "mero partícipe" e que sua participação não teria sido menos importante. "Pelo contrário. Sem sua atuação, Alan, que estava em frente ao QG do Exército, não colocaria o artefato explosivo no caminhão-tanque que estava estacionado nas proximidades do aeroporto".

Foragido há oito meses

Macedo está foragido desde 5 de janeiro, data que foi decretada a prisão preventiva dele. Mesmo foragido, ele prestou depoimento recentemente à Justiça e disse que não sabia no que tinha dentro da caixa levada por Allan na noite da tentativa de explosão da bomba num caminhão nas proximidades do aeroporto.

 

No depoimento que deu à Justiça, há um mês, Macedo chorou e disse que não sabia que dentro da caixa levada por Alan no carro dele havia uma bomba, e que nem tocou no artefato. Para o juiz, esse argumento é irrelevante. "O fato de supostamente não ter tido contato físico com o artefato explosivo também não o isenta, uma vez que sua tarefa foi a de conduzir Alan para que este, que teve contato com a caixa de papelão, a colocasse no local escolhido. Houve uma divisão de tarefa, tendo o acusado (Macedo) se encarregado de função relevante para o sucesso da empreitada criminosa".

 

Tovani manteve também a prisão preventiva de Macedo, "até porque as circunstâncias do fato indicam periculosidades presentes, ainda a necessidade de preservar a ordem pública e a aplicação da lei penal". O blogueiro afirmou ainda que frequentava o Quartel General do Exército, no Setor Militar Urbano, em Brasília.