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Estado de Minas CRISE ENTRE PODERES

Lira quer ser 'ponte de pacificação' entre governo e Supremo

Sem citar nomes ou os pedidos de impeachment contra Bolsonaro, presidente da Câmara se pronunciou nesta quarta sobre as manifestações do 7/9


08/09/2021 13:59 - atualizado 08/09/2021 14:22

Um dia depois das declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) nas manifestações do Dia da Independência, que ameaçam o Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), disse que não vai mais tolerar “radicalismo e excessos”. O deputado fez um pronunciamento nesta quarta-feira (8/9) no qual afirmou que se dispõe a servir de “ponte de pacificação” entre o Executivo e o Judiciário.

Na manhã de ontem, em Brasília, Bolsonaro participou de um ato, com discurso ameaçando o presidente do STF, Luiz Fux. À tarde, em São Paulo, o presidente declarou abertamente que não respeitará "qualquer decisão" do ministro Alexandre de Moraes, incitando seus apoiadores contra a Corte. Ele ainda xingou o magistrado de "canalha" e pediu sua saída diante de cerca de 125 mil pessoas, número estimado pela Polícia Militar.

Após as falas de Bolsonaro, vários partidos se reuniram para discutir o impeachment. Mas cabe ao presidente da Câmara aceitar um dos mais de 100 pedidos de abertura do processo contra Bolsonaro. Por isso, Lira estava sendo cobrado para se manifestar sobre o caso.
 
Pronunciamento desta quarta-feira (8/9) do presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL)
Pronunciamento desta quarta-feira (8/9) do presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) (foto: Reprodução/TV Câmara)
 

Em pronunciamento na TV Câmara, Lira disse que esperou para falar do assunto porque não queria “ser contaminado pelo calor do ambiente”. O presidente da Câmara elogiou os manifestantes que participaram dos atos de forma pacífica e disse que vai ser uma ponte de pacificação para o diálogo e a harmonia entre o Executivo e o Judiciário.

Lira ainda afirmou que o único compromisso inadiável e inquestionável está marcado para 3 de outubro de 2022, com as urnas eletrônicas. “Até lá tenhamos toda a celeridade e respeito às leis, à ordem e, principalmente, a terra que todos amamos”, disse.

Confira o pronunciamento na íntegra: 

"Diante dos acontecimentos de ontem, quando abrimos as comemorações de 200 anos como nação livre e independente, não vejo como possamos ter ainda mais espaço para radicalismo e excessos. Esperei até agora para me pronunciar porque não queria ser contaminado pelo calor do ambiente, já por demais aquecido. Não me esqueço 1 minuto que presido o poder mais transparente e democrático. Nossa casa tem compromisso com o Brasil real, que vem sofrendo com a pandemia, com o desemprego e a falta de oportunidades.

Na Câmara dos Deputados, aprovamos o auxílio emergencial e votamos leis que facilitaram o acesso à vacinação. Avançamos na legislação que permite a criação de mais emprego e mais renda. A casa do povo seguiu adiante com as pautas do Brasil, especialmente as reformas. Nunca faltamos para com os brasileiros. A Câmara não parou diante de crises que só fazem o Brasil perder tempo, perder vidas e perder oportunidades de progredir, de ser mais justo e de construir uma nação melhor para todos. 

Os poderes têm delimitações, o tal quadrado deve circunscrever seu raio de atuação e isso define respeito e harmonia. Não posso admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superadas como a do voto impresso. Uma vez definida, vira-se a página. Assim como também vou seguir defendendo o direito dos parlamentares à livre expressão e a nossa prerrogativa de puni-los internamente se a casa, com sua soberania e independência, entender que cruzaram a linha. Conversarei com todos e com todos os poderes. É hora de dar um basta a esta escalada em um infinito looping negativo. Bravatas em redes sociais, vídeos e um eterno palanque deixaram de ser um elemento virtual e passaram a impactar o dia a dia do Brasil de verdade.

O Brasil, que vê a gasolina chegar a R$ 7, o dólar valorizado em excesso e a redução de expectativas. Uma crise que, infelizmente, é superdimensionada nas redes sociais. Que, apesar de amplificar a democracia, estimula excitações e excessos. Em tempo, quero aqui enaltecer a todos os brasileiros que foram às ruas de modo pacífico. Uma democracia vibrante se faz assim: com participação popular e liberdade, respeito à opinião do outro. Foi isso que inspirou Niemeyer e Lúcio Costa quando imaginaram a praça dos Três Poderes. Colocaram o Executivo, o Judiciário e o Legislativo no meio. Equidistantes, mas vizinhos e próximos suficientes para que hoje a gente possa se apresentar como uma ponte de pacificação entre Judiciário e Executivo. É este papel que queremos desempenhar agora. A Câmara dos Deputados está aberta a conversas e negociações para serenarmos, para que todos possamos nos voltar ao Brasil real, que sofre com o preço do gás, por exemplo.

A Câmara dos Deputados apresenta-se hoje como um motor de pacificação. Na discórdia, todos perdem. Mas o Brasil, nossa história, tem ainda mais o que perder. Nosso país foi construído com união e solidariedade e não há receita para superar a grave crise socioeconômica sem estes elementos. Esta casa tem prerrogativas que seguem vivas e quer seguir votando e aprovando o que é de interesse público e estende a mão aos demais poderes para que se voltem ao trabalho, encerrando desentendimentos. Por fim, vale lembrar que temos a nossa Constituição que jamais será rasgada. O único compromisso inadiável e inquestionável que temos em nosso calendário está marcado para 3 de outubro de 2022 com as urnas eletrônicas, são as cabines eleitorais com sigilo e segurança que o povo expressa sua soberania. Que até lá tenhamos toda a celeridade e respeito às leis, à ordem e, principalmente, a terra que todos amamos. Muito obrigado."


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