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Estado de Minas OPERAÇÃO

Ministério do Meio Ambiente e Ricardo Salles são alvos de operação da PF

A ação apura crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando nos órgãos do governo federal


19/05/2021 07:27 - atualizado 19/05/2021 09:08

Ricardo Salles na região da Cachoeira do Aruã (PA), em março, onde a PF fez uma apreensão de madeira.
Ricardo Salles na região da Cachoeira do Aruã (PA), em março, onde a PF fez uma apreensão de madeira. "Etiquetas nas toras indicam local exato de onde vieram. Andamos na mata para conferir. Os dados bateram certinho. Agora faremos a confirmação pelo teste comparativo do DNA das amostras", escreveu na postagem (foto: Reprodução da internet/Twitter/rsallesmma)


Cerca de 160 policiais federais cumprem 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e no Pará em operação deflagrada na manhã desta quarta-feira, 19. A Operação Akuanduba faz buscas em endereços ligados ao ministro Ricardo Salles e ao Ministério do Meio Ambiente. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Por volta das 7h30, três agentes da Polícia Federal (PF) deixaram a sede do ministério carregando malotes. Duas viaturas da corporação seguem em frente ao prédio da pasta.

A ofensiva visa apurar crimes contra a administração pública - corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e, especialmente, facilitação de contrabando - supostamente praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro, diz a PF.

O STF determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do ministro do Meio Ambiente e de servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

O Supremo também determinou o afastamento preventivo de dez agentes públicos ocupantes de cargos e funções de confiança no Ibama e no Ministério do Meio Ambiente.

Segundo a GloboNews, entre os afastados está o próprio presidente do Ibama, Ricardo Fortunato Bim. A emissora também informou que Salles já estaria depondo na PF.

O STF também suspendeu a aplicação do Despacho nº 736900/2020, que afrouxa regras para exportação de madeira.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações tiveram início em janeiro deste ano "a partir de informações obtidas junto a autoridades estrangeiras noticiando possível desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira".

A corporação informou que o nome da ofensiva, Akuanduba, faz referência a "uma divindade da mitologia dos índios Araras, que habitam o Estado do Pará". "Segundo a lenda, se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem", registrou a PF em nota.

Salles no olho do furacão


Desde o início do atual governo, os indicadores de desmatamento têm batido sucessivos recordes no Brasil e motivado um repúdio internacional sem precedentes sobre a política ambiental brasileira, com efeitos econômicos, sobretudo no agronegócio.

Salles já estava na mira do Congresso, do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Acusado de tentar atrapalhar uma megaoperação da Polícia Federal no Amazonas contra o desmatamento, em dezembro.



Salles também é alvo de duas ações no Supremo que serão relatadas pela ministra Cármen Lúcia - uma apresentada pelo PDT e outra pelo ex-superintendente da corporação no estado, Alexandre Saraiva.


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