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Estado de Minas

É possível viver, 'e bem', com R$ 24 mil? Veja as possibilidades

Após procurador de Minas afirmar que salário de R$ 24 mil é 'miserê', o Estado de Minas fez as contas


postado em 09/09/2019 18:20 / atualizado em 13/09/2019 20:34

Apartamento com 4 quartos para alugar no bairro Lourdes, 260m²(foto: Reprodução/Lugar Certo)
Apartamento com 4 quartos para alugar no bairro Lourdes, 260m² (foto: Reprodução/Lugar Certo)
Em reunião que discutia o orçamento público do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o procurador Leonardo Azeredo dos Santos reclamou de seu salário de R$ 24 mil. “Estamos vivendo à base de comprimidos, à base de antidepressivos (...) Vamos virar pedintes quase?”, declarou o magistrado para seus colegas e para o procurador-geral Antônio Sérgio Tonet.


 

De acordo com IBGE, a renda média de um brasileiro é de R$ 2.270 por mês. A média de salário de um trabalhador do serviço público é de R$ 3.666. Hoje no Brasil existem 38,6 milhões de trabalhadores em situação de informalidade, destes 10 milhões vivem com rendimento abaixo do mínimo necessário à sua sobrevivência. São no total, 13 milhões de desempregados no país.

O Dieese, na pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos calcula que o salário mínimo necessário para uma família viver, de acordo com a Constituição, deveria ser de R$ 4.044,58.

O salário do procuradores é quase 10 vezes maior do que a média brasileira. Após levantamento feito, descobrimos, quanto é a vida de alto de luxo na capital mineira.

 

O Estado de Minas fez as contas de como uma família de quatro pessoas poderia viver com essa renda mensal de R$ 24 mil.  

 

Veja a lista:


  • Aluguel de apartamento de luxo de 260 metros quadrados em Lourdes: R$ 5 mil
  • Condomínio: R$ 1 mil
  • Mensalidade de Colégio Particular (Bernoulli): De R$1.692 até R$2.422
  • Salário de Empregado Doméstico: R$998,00 (mínimo)/ R$1.180 (piso salarial em Minas Gerais)
  • Pensão: De acordo com Pedro Lessi, a Lei de Alimentos (5478/68) nada fala a respeito de valores e percentuais, mas a jurisprudência fixou o entendimento de que a pensão deve girar em torno de 33% (ou um terço). No caso do procurador, isto equivale a R$7.920
  • Supermercado: R$2.000
  • Combustível de dois carros: R$2.000

Leonardo Azeredo vai receber R$ 288 mil durante o ano, isto sem o décimo terceiro e, mesmo assim, ele afirma que o reajuste é uma injustiça. “Quero saber se nós, no ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se vossa excelência já planeja alguma coisa, dentro da sua criatividade para melhorar nossa situação. Ou se vamos ficar nesse miserê” , questionou em sessão.

 

'Tanta limitação'

 

O procurador ainda justificou o motivo de sua angústia. “Infelizmente, não tenho origem humilde. Não sou acostumado com tanta limitação”, disse. “Todo mundo já verificou que é um salário relativamente baixo. Sobretudo para quem tem mulher e filho (...) Não sei se vou receber a mais, se vai ter algum cálculo dos atrasados que vai me salvar, salvar minha pele.”

Caso aconteça de Minas Gerais assinar o acordo de recuperação fiscal com o governo federal, assim como aconteceu no Rio de Janeiro, o estado pode ficar impedido de conceder qualquer reajuste salarial e este é o motivo de “revolta” do procurador. 

*A estagiária está sob supervisão da subeditora Ellen Cristie.


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