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Estado de Minas POLÍTICA

Governo está se curvando à Realpolitik, avalia cientista político


postado em 07/05/2019 17:48

A recriação dos ministérios das Cidades e da Integração Nacional, anunciada nesta terça-feira, 7, mostra que o governo do presidente Jair Bolsonaro começa a perceber a necessidade de negociar, avalia o cientista político Carlos Melo, professor do Insper. Para o especialista, o Planalto, entretanto, terá de explicar ao eleitorado os motivos que o levaram a aceitar o desmembramento da pasta do Desenvolvimento Regional.

"O governo está se curvando à Realpolitik, aquilo que o governo já chamou de velha política", afirmou Melo. "Num governo democrático, você tem que fazer concessões, mas é necessário explicar o porquê. A recriação dos ministérios vem por uma necessidade de políticas públicas ou por uma necessidade de distribuição de espaços e de poder? O governo vai ter que deixar isso claro. Se for uma questão simplesmente de pressão dos partidos, sobretudo do Centrão, significa um desgaste para o governo, ele está mordendo a língua", declara o professor.

Quanto a como o eleitorado de Bolsonaro pode receber a recriação dos ministérios, Melo diz que "tende a reagir mal". O professor afirma que o governo precisará de uma boa comunicação com os eleitores que acreditaram que a eleição do presidente era "uma ruptura com essa forma de fazer política".

"A questão final pra mim é que nós não governamos do jeito que queremos; nós governamos do jeito que podemos. Governar é sempre um ato de negociação. Você não faz tudo por vontade própria. É necessário ceder", avalia Melo, acrescentando que, em sua visão, o governo não errou agora, mas sim antes, quando disse que não faria tal tipo de política.

A recriação das duas pastas foi anunciada pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), relator da MP 870, que trata da reforma administrativa. O relatório de Bezerra foi lido hoje na comissão mista e a vontade do governo é a de que o texto seja votado amanhã, 8. Porém, o líder do PP na câmara, Arthur Lira (PP-AL), já assinalou para a possibilidade de obstrução.


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