Publicidade

Estado de Minas

Governo enfrenta barreiras para encerrar greve dos caminhoneiros

Governo já propôs dois acordos aos caminhoneiros, mas enfrenta obstáculos para encerrar paralisação, como pulverização de líderes, radicalização, politização e até críticas de aliados


postado em 29/05/2018 06:00 / atualizado em 29/05/2018 07:20

Padilha: normalização é lenta, mas o governo espera o fim da greve(foto: WILSON DIAS/AGÊNCIA BRASIL)
Padilha: normalização é lenta, mas o governo espera o fim da greve (foto: WILSON DIAS/AGÊNCIA BRASIL)

Dois acordos e uma greve ainda resistente. Nove dias depois do início da paralisação de um número incalculável de caminhoneiros em todo o país, o governo segue enfrentando sérias barreiras para a normalização. A primeira é a dificuldade em encontrar lideranças representativas da categoria, devido ao grande número de transportadores autônomos. A segunda é a radicalização de grevistas, que levou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha a declarar que as negociações estão concluídas e  que a Polícia Federal vai prender os líderes que resistem ao fim do movimento.

Outra barreira é o que o governo chama de politização do movimento, que levou o Planalto ontem a informar que a Polícia Federal vai procurar pessoas infiltradas, com interesses alheiros aos dos caminhoneiros, que a própria Associação Brasileira de Caminhoneiros admite estar ocorrendo. Para o governo, pessoas infiltradas estariam insuflando discursos a favor de uma intervenção militar. E uma nova barreira são críticas que o governo recebe na condução das negociações, inclusive de apoiadores e até de aliados e de ministro do Supremo Tribunal Federal. É o caso da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação das Indústrias do do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e da líder do MDB, partido do presidente Temer, no Senado, Simone Tebet (MS).

O governo, entretanto, está otimista. “Começa a haver retomada, mas ainda não é o que gostaríamos”, afirmou Padilha. Segundo ele, dos 1,2 mil bloqueios, 728 haviam sido desfeitos ontem à tarde, o correspondente a 56%. E que ainda haviam pelos menos 557 pontos de mobilização. À noite, a Polícia Rodoviária Federal informou que eram 594 pontos. “Temos que fazer com que nossos motoristas fiquem conscientes do quanto são importantes e o quanto necessitamos que voltem à normalidade as nossas estradas”, afirmou Padilha.

O fim da greve, porém, é incerto. Ao menos cinco entidades de caminhoneiros já se disseram favoráveis ao fim do movimento, mas a  Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e o Sindicato Interestadual dos Caminhoneiros Autônomos não consideram a paralisação encerrada. Outros representantes ainda afirmam que nem todas as reivindicações foram atendidas.

CRÍTICAS O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que o governo subestimou a situação dos caminhoneiros, o que resultou em reação atrasada sobre a crise. “O governo é o órgão mais bem informado que temos. Penso que subestimaram e foram surpreendidos com essa reação que paralisou o país”. As negociações não escaparam de crítica nem mesmo da líder do partido dele no Senado, Simone Tebet. Ela criticou a dificuldade do governo em aceitar o congelamento do preço do diesel por 60 dias, exigência dos caminhoneiros. “Não consigo entender, diante do caos iminente e prejuízos bilionários, governo cede em reivindicações difíceis, a serem compensadas pelo Tesouro (redução em R$ 0,46/litro diesel e MP que isenta pedágio para eixo suspenso) e empaca na prorrogação do congelamento do diesel para 60 dias”, escreveu Tebet no Twitter.

Outros ataques inesperados partiram de empresários. Para a CNI, a edição da Medida Provisória 832/2018 é “grande retrocesso”. A MP fixa valores mínimos de frete para o transporte de carga. A CNI sustenta que “a fixação de preços mínimos infringe o princípio da livre iniciativa e é ineficaz”, além de não corrigir o problema de excesso de oferta de caminhões no mercado. A entidade diz ainda que o tabelamento do frete levará ao aumento geral de preço.

Já a Firjan disse que o Brasil vive momento de “combustão tributária”, segundo declaração do economista-chefe da entidade, Guilherme Mercês. Ele criticou também a decisão do governo de reonerar 46 atividades industriais, com aumento de R$ 9 bilhões na arrecadação, com a justificativa de cobrir perda de R$ 4 bilhões até o fim de 2018 com a redução da Cide e do PIS/Cofins. “A contrapartida para redução do diesel tem que ser a reorganização das contas públicas. Teremos problema se cada setor for requisitar parcela do orçamento”, disse.

 

 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade