
A Goiânia ela foi, chegou bem cedinho – Goiânia fica bem perto do Distrito Federal – e logo estava em reunião no Tribunal de Justiça de Goiás. Por ela já esperavam o governador Marconi Perillo (PSDB) e seu anfitrião, o presidente do TJG, Gilberto Marques Filho. Embora tivesse pensado nisso, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, que está de plantão neste recesso do Judiciário, foi desaconselhada e acatou o pedido para desistir de visitar o presídio onde houve rebeliões.
Prudência pouca não é bobagem, muito antes pelo contrário. Só no presídio onde queria ir foram nove mortos e 14 feridos. Tudo isso em briga de facções durante o motim que deu chance a vários outros presos de escaparem. E o clima ainda anda quente por lá. Cármen Lúcia, presidente da mais alta Corte do país, risco nenhum poderia correr.
Diante da corrupção tamanha país afora, a coluna trata é de política. No sentido figurado dá até para tratar de polícia mesmo. Nesse caso, no entanto, envolve o complexo penitenciário. E ainda há presos foragidos.
Como foram várias rebeliões, é importante ressaltar que os registros mostram o quanto esses presídios, na prática, são uma fábrica de transformar criminosos que não são tão perigosos. Por furtarem uma bolsa se misturam com facções que usam até metralhadora. Deixa de ser prisão. Vira escola do crime.
Melhor então voltar à política, apesar do recesso. No Congresso, só mês que vem. No Judiciário, daqui a 15 dias o clima vai esquentar é em Porto Alegre, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). É o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) depois da pesada condenação do juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF).
O voto do juiz federal João Pedro Gebran Neto no TRF4 já está pronto. E o julgamento foi marcado para o dia 24. Em primeira instância, Lula foi acusado de corrupção e lavagem de dinheiro no processo do apartamento triplex do Guarujá (SP). Em segunda instância, poderá recorrer depois, mas corre sério risco de ter a sua prisão decretada até uma definição do recurso.
Enfim, melhor esperar para ver e prestar mais atenção na ministra Cármen Lúcia, com sua atitude firme e corajosa em Goiânia e torcer para que ela ajude a resolver um caso que chama a atenção pela fragilidade tanto policial quanto da penitenciária deste país.
Vai rolar?
“Minha missão este ano é tentar motivar as pessoas para que votem com muita consciência e que a gente traga os amigos que estão a fim para ocupar a política, senão não vai ter solução. Eu nunca, jamais, vou ser o salvador da pátria e o que vai acontecer na minha vida eu também não sei. Eu amo o que eu faço, eu amo estar todo sábado na televisão, eu gosto muito de estar com as pessoas, de contar as histórias. Então, o que o destino e o que Deus reserva para mim vou deixar rolar.” Foi em resposta diante de pergunta de Faustão no programa no domingo. Uai? Luciano Huck está filiado no PSDB? Tucanou? Subiu no muro?
É sopa
Finalmente, foi descoberto o prato preferido do deputado Jair Bolsonaro, que pretende concorrer à Presidência da República. É sopa. Isso mesmo, sopa de letrinhas. Basta olhar o cardápio, só não sei de qual ele mais gostou, já que deve pedir o garçom para mudar. E olha que muda o cardápio toda hora, o garçom nem sabe que prato servirá hoje ou amanhã. Duvida? Vamos lá: Bolsonaro já foi do PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP e do PSC, de onde, enfim, saiu em direção ao PSL.
Regra-três
“GLEiSI DESABAFA E APONTA PERSEGUIÇÃO A LULA NO TRF-4.” No tal site financiado por central sindical, quase todos os dias as notícias têm fotos, mas não de Lula. Óbvio que em protesto contra a possibilidade de sua prisão em segunda instância. O detalhe, no entanto, é que as fotos trazem sempre a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR). Com esse cargo, a desculpa é até fácil e boa. Mas toda hora? Em todos os palanques? É que ela é a regra-três, aquele no jargão para jogo de futebol.
Nada a declarar
“O palco do julgamento do ex-presidente Lula no próximo dia 24 recebeu, nesta segunda-feira, 8, um abraço simbólico de manifestantes.” “TRF 4: Interrompa o golpe”, escreveram os manifestantes do Comitê em Defesa da Democracia e de Lula ser Candidato de Porto Alegre em uma faixa de 40 metros. Objetivo da manifestação foi denunciar a perseguição judicial ao ex-presidente, cujo processo tramitou em tempo recorde no tribunal em questão. Até a data do julgamento, inúmeras atividades em defesa de Lula estão sendo agendadas para acontecer tanto em Porto Alegre quanto em outras capitais”. Texto da manchete principal do site financiado por central sindical.
Brasileiro
Até que é baratinho. O vestido custou apenas R$ 6.260 e está disponível sob encomenda. Afinal, o vestido de crepe, trabalhado com tiras de cetim dupla face costuradas a mão com recortes triangulares e detalhes em tule na parte do busto (não faço a menor ideia do que seja isso), foi a atriz norte-americana e ativista Sharon Stone quem usou para ir à 75ª edição do Golden Globes, um dos maiores prêmios do cinema e televisão. Detalhe nacional: o longo é assinado pelo estilista brasileiro Vitor Zerbinato.
PINGAFOGO
“Feliz ano novo, Baptista! Cheguei de viagem ontem e tentei lhe falar para agradecer a excelente matéria que publicou. É uma honra estar em sua tão prestigiada Coluna Política. Grande abraço, Galba”.
A honra é toda da coluna ao receber e ter aula de direito sobre os tempos atuais do ministro Galba Velloso, consultor da Advocacia-Geral da União (AGU) e ex-ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Tem agência apressada com a agenda do presidente Michel Temer. O registro certo: 11h – Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, Dyogo Oliveira, do Planejamento, Moreira Franco, da Secretaria-Geral da Presidência, e o de Governo, Carlos Marun.
E antes de ir almoçar, ao meio-dia e meia, ainda recebeu Aloysio Nunes, ministro de Estado das Relações Exteriores. E foram todos no Palácio do Planalto de manhã até a hora do almoço. Para ser justo. O site da Presidência traz escrito: “Alteração”.
Poucas mudanças. Pode usar internet e redes sociais para as eleições deste ano. A principal mudança, no entanto, é que candidatos, partidos e coligações terão que pagar. Isso mesmo, pagar as redes sociais para fazer propaganda de suas candidaturas.
